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China fica mais protegida que EUA contra choques de petróleo

China aparece mais protegida do choque do petróleo que os EUA, com matriz energética diversificada e reservas suficientes para sustentar 110 dias de consumo

Posto de gasolina da PetroChina em Pequim
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  • A crise no estreito de Ormuz continua sem solução, com o tráfego ainda bem abaixo do normal e o petróleo próximo de US$ 110 por barril.
  • O Goldman Sachs aponta que a matriz energética da China é mais diversificada e tem reservas suficientes para cobrir mais de 110 dias de consumo, reduzindo o impacto do choque energético frente aos EUA e a emergentes asiáticos.
  • Em dois aspectos, a China aparece mais protegida: 28% do consumo de energia primária vem de petróleo e gás em 2024, e 40% da eletricidade é gerada por fontes alternativas, como nuclear, eólica, solar e hidrelétrica.
  • Estudo da Fitch Ratings indica que, no pior cenário, a Coreia do Sul, os EUA e a Turquia seriam mais afetados do que a China, que fica relativamente menos impactada.
  • O preço do petróleo pode tirar a China da deflação de preços ao produtor, com o Goldman revisando para cima o PIB nominal do país em 0,8 ponto percentual, o que pode favorecer lucro corporativo e recompras de ações.

A crise de navegação no estreito de Ormuz persiste em meio a uma guerra entre países que já soma cinco semanas. Tráfego de navios pelo estreito permanece abaixo do normal, apesar de acordos anunciados por três países asiáticos com o Irã para permitir passagem. Enquanto isso, o petróleo se aproxima de 110 dólares por barril, elevando o custo global de energia.

Segundo o Goldman Sachs, a economia chinesa aparece mais protegida do choque no fornecimento de petróleo do que a dos EUA. O banco revisou para baixo a previsão de crescimento da China em 0,20 ponto percentual, enquanto reduzida em 0,40 ponto percentual para os EUA e em 0,70 ponto base para emergentes asiáticos excluídos.

A instituição aponta três fatores que consolidam essa diferença. Primeiro, uma matriz energética mais diversificada: em 2024, petróleo e gás natural liquefeito representaram 28% do consumo de energia primária da China, entre as menores taxas globais.

Segundo, reservas de petróleo robustas, com estoques estratégicos e comerciais que, mesmo em cenário sem importações, dariam para cobrir mais de 110 dias de consumo. Terceiro, a China pode manter o abastecimento por meio de produtores fora do Oriente Médio, como Rússia, Austrália e Malásia.

A Fitch Ratings, em estudo recente, indica que, no pior cenário, países como Coreia do Sul, EUA e Turquia teriam o maior impacto no crescimento. A China, pela constatação do relatório, ficaria relativamente menos afetada, figurando perto do fim da lista de economias severamente impactadas.

Os preços elevados do petróleo afetam crescimento e inflação. Para a China, a alta pode interromper a deflação de preços ao produtor, com o Goldman Sachs estimando o fim da deflação em março, antecipando o cronograma em meses. Em cenários históricos, inflação de custos costuma acompanhar lucros corporativos e recompras de ações.

Desde o início do conflito com o Irã, o Goldman Sachs revisou para cima a projeção de crescimento nominal do PIB chinês em 0,8 ponto percentual, implicando impulso à receita corporativa e à lucratividade do setor de exploração e produção. Esse movimento pode favorecer investimentos e realocação de ativos.

Além disso, a China figura entre as maiores importadoras de petróleo e gás natural liquefeito, ao mesmo tempo em que figura como grande investidora em energias alternativas, conforme o Goldman Sachs. O relatório destaca investimentos em infraestrutura energética, incluindo navios-tanque, redes de transmissão e plantas petroquímicas.

As perturbações no estreito de Ormuz elevam a busca por independência energética e fortalecem a resiliência da cadeia de suprimentos como prioridades de segurança nacional, com impactos que podem reforçar políticas de energia renovável no país.

Sobre fluxos de capital para Hong Kong em meio ao conflito, o Goldman Sachs aponta que ainda é cedo para conclusões definitivas. Indicadores iniciais sugerem entradas de fundos, mas decisões estratégicas costumam levar mais de um mês para se consolidarem. A taxa Hibor atingiu mínima em 7 meses, e o mercado acionário de Hong Kong segue com liquidez e sinais de recuperação.

A instituição também alerta que a turbulência regional no Oriente Médio pode limitar a propensão de investidores locais a direcionar recursos para ativos chineses, dada a importância crescente do Oriente Médio como ator financeiro no curto prazo.

Esta reportagem foi originalmente publicada em inglês pela Caixin Global em 1º de abril de 2026 e republicada pelo Poder360 com acordo de compartilhamento de conteúdo.

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