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Peso argentino recobra fôlego após queda, atraindo atenção de mercados

Peso argentino se valoriza frente ao dólar em março, impulsionado por exportações e fluxos de dólares; investidores avaliam se é porto seguro, mesmo diante da inflação e controles de capitais

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  • O peso argentino ganhou força frente ao dólar em março, sendo uma das duas moedas de países em desenvolvimento a subir, após longa sequência de quedas.
  • Os ganhos foram impulsionados por exportações agrícolas sazonais, remessas de energia da bacia de Vaca Muerta e empréstimos em dólares de empresas locais no início do ano.
  • Investidores passaram a considerar o peso como um possível “porto seguro”; o superávit comercial dos dois primeiros meses chegou a quase US$ 3 bilhões.
  • A produção de energia na bacia de Vaca Muerta reduziu a necessidade de importações, com o segundo trimestre marcando o pico da temporada de colheita e estimativas de até US$ 10 bilhões em receita adicional de exportação neste ano.
  • Mesmo com ganhos, o peso enfrenta controles de capital, inflação alta e preocupações com juros; spreads de títulos argentinos subiram desde o início do conflito, refletindo incertezas do cenário.

O peso argentino ganhou força frente ao dólar em março, quando apenas duas moedas de países em desenvolvimento tiveram ganhos entre emergentes, segundo dados do MSCI. A queda mensal mais fraca desde 2022 chamou a atenção de investidores.

A reviravolta ocorre em meio ao avanço das exportações agrícolas e ao fluxo de remessas de energia da bacia de Vaca Muerta. Empresas argentinas também fizeram empréstimos em dólares no início deste ano, ampliando a oferta de dólares no mercado local.

Como consequência, analistas veem o peso ganhando impulso com fundamentos que vão além de intervenções do governo. O ganho está ligado aos fluxos comerciais que se fortalecem, além do acesso a mercados financeiros globais.

Contexto macro e fatores de apoio

O superávit comercial dos dois primeiros meses foi quase US$ 3 bilhões, mais de seis vezes o valor do ano anterior. Exportações de alimentos e menor nível de importações aparecem como motores do resultado.

A produção em Vaca Muerta reduz a necessidade de importações de energia, fortalecendo o saldo externo. A temporada de colheita deve elevar ainda mais a entrada de dólares no segundo trimestre, segundo estimativas do setor.

Adicionalmente, a demanda externa por petróleo, gás, soja e milho pode gerar até US$ 10 bilhões em receita adicional neste ano, conforme projeções de bancos locais. Esse conjunto de fatores sustenta o avanço do peso.

Riscos e leitura de mercado

Mesmo com o peso ganhando espaço, permanecem pressões de inflação. O Banco Central ampliou a faixa de variação do peso para acompanhar a inflação mensal, que ficou em 2,9% em fevereiro, acima da expectativa.

Os investidores observam que o fortalecimento do peso não reflete apenas fatores fiscais, mas também fluxos de capital associados a investimentos em energia. Tais fluxos ajudam a compor reservas cambiais.

Do lado externo, a situação da dívida argentina mostra spreads mais elevados desde o início do conflito regional, sinalizando riscos contínuos para títulos soberanos em moeda local.

Especialistas lembram que, mesmo com avanços no mercado de câmbio, a inflação alta e a atividade econômica fraca ainda geram incerteza sobre a estabilidade cambial a curto prazo.

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