- A Raízen apresentou aos credores um plano para reestruturar US$ 12,6 bilhões em dívida, incluindo um período de carência de pelo menos cinco anos e participação acionária relevante para credores.
- A proposta prevê a conversão de ao menos 45% da dívida em ações, o que poderia deixar os credores com até 70% das ações ordinárias, caso o papel seja precificado em cerca de 40 centavos.
- A iniciativa reduziria a alavancagem para entre 3 e 3,5 vezes o Ebitda, em comparação com 5,3 vezes hoje, e abriria caminho para uma possível separação entre as unidades de açúcar e etanol e de distribuição de combustíveis.
- A Raízen planeja que a unidade de açúcar e etanol tenha oito anos para amortizar o principal, enquanto a de distribuição de combustíveis teria cinco anos.
- Os credores poderiam indicar três dos sete membros do conselho, enquanto a Shell indicaria os outros quatro; a Cosan e a Shell já discutem aportes, com possível participação adicional de Rubens Ometto, fundador da Cosan.
Raízen apresentou aos credores um plano de reestruturação da dívida de US$ 12,6 bilhões, previsto para ser discutido em reuniões em Nova York na próxima semana. A proposta prevê um período de carência de pelo menos cinco anos e maior participação acionária dos credores, com influência na gestão da produtora de açúcar e etanol.
A ideia é converter ao menos 45% da dívida em ações, segundo fontes, o que pode deixar os credores com até 70% das ações ordinárias, se a precificação ficar em torno de US$ 0,40 por ação. A cotação atual fica próximo de US$ 0,50.
A proposta reduziria a alavancagem para entre 3 e 3,5 vezes o EBITDA, comparação com 5,3 vezes hoje. Também abriria caminho para separar a unidade de açúcar e etanol dos negócios de distribuição de combustível.
A raiz do desenho estrutural envolve prazos: oito anos para amortizar o principal da unidade de açúcar e etanol; cinco anos para a área de distribuição de combustíveis, segundo as fontes. Credores poderiam indicar três de sete membros do conselho; a Shell indicaria os outros quatro.
Raízen e Cosan, controlador conjunto, não comentaram; a Shell não respondeu a pedido de comentário. Detalhes já haviam sido antecipados pelos veículos O Globo e The AgriBiz.
A reestruturação extrajudicial de dívida, anunciada no mês anterior, envolve R$ 65 bilhões (US$ 12,6 bilhões). Credores que representam 47% da dívida já concordaram em avançar, ampliando o espaço para adesões.
A Shell já concordou em investir R$ 3,5 bilhões na companhia. A Cosan, que mantém participação na joint venture, também sinalizou aporte adicional de R$ 500 milhões, segundo as fontes. Rubens Ometto, fundador da Cosan, busca manter a presidência do conselho por mais tempo e defender uma cláusula de poison pill.
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