- O UBS recomenda uma estratégia de hedge simples e estruturada diante da incerteza global causada pela guerra no Oriente Médio e pela inflação.
- Sugerem aumentar a proteção das carteiras, diversificar com títulos de dívida de alta qualidade, ouro e ampla exposição a commodities, e reduzir ativos cíclicos.
- A expectativa é que o petróleo permaneça alto enquanto o conflito perdurar; se houver melhora, o petróleo pode ficar abaixo de US$ cem por barril.
- O ouro é visto como proteção geopolítica, com previsão de subir próximo a US$ 5.500 por onça nos próximos 6 a 12 meses.
- No cenário base, o UBS projeta alta dos mercados acionários até o fim de 2026 e destaca o papel dos títulos de qualidade na diversificação das carteiras.
O UBS recomenda uma estratégia de hedge simples e estruturada diante da incerteza global gerada pela guerra no Oriente Médio e pela inflação em ascensão. O objetivo é ajustar gradualmente a exposição de carteiras, considerando cenários de petróleo alto e conflitos prolongados. A orientação é pensar no curto e médio prazo.
O CIO de Mercados Emergentes das Américas da UBS Global Wealth Management, Alejo Czerwonko, afirma que a gestão de riscos deve priorizar três pilares nos próximos meses. Primeiro, ampliar as posições de proteção para mitigar quedas de ações e tirar proveito de ativos considerados mais seguros, como o dólar e as commodities.
Segundo, diversificar o portfólio com títulos de dívida de alta qualidade, ouro e ampla exposição a commodities. Terceiro, reduzir posições cíclicas em ações e em crédito de alto risco, diante de um cenário de volatilidade e incerteza econômica global.
Preparação para volatilidade
A instituição espera que as hostilidades no Oriente Médio diminuam nas próximas semanas, o que poderia reabrir o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Caso isso ocorra, o UBS estima que os preços do petróleo fiquem abaixo de US$ 100 por barril.
Caso o conflito se prolongue, os riscos emergentes devem aumentar, segundo o relatório. Para investidores bem diversificados, a recomendação é manter os investimentos com foco na proteção, mantendo disciplina e paciência. Os títulos públicos aparecem como componente de diversificação, mesmo com sensibilidade a inflação e a alta de gastos com defesa.
O UBS também aponta que as taxas de juros podem permanecer sob pressão até que haja precificação de recessão no mercado. Nesse cenário, os títulos de alta qualidade ganham importância para equilibrar portfólios, com foco em maturidades de médio prazo.
Do ouro ao petróleo
O ouro é visto como proteção geopolítica, com o UBS projetando elevação dos preços para próximos 6 a 12 meses, para níveis próximos de US$ 5.500 por onça. A instituição sugere que investidores de longo prazo aproveitem quedas pontuais para aumentar exposições ao metal, especialmente em cenários de demanda e oferta resilientes.
Segundo Czerwonko, o ouro tende a acompanhar menor volatilidade real quando surgem temores inflacionários e maior endividamento global. Além disso, há expectativa de demanda de bancos centrais e investidores, sustentando o metal como hedge.
O UBS também prevê continuidade da atratividade das commodities como fonte de crescimento e diversificação. Mesmo com o petróleo em baixa no curto prazo se o conflito se resolver, a visão é de continuidade do papel das commodities na construção de carteiras.
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