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Riqueza não tributada dos 0,1% mais ricos supera ativos da metade mais pobre

Riqueza oculta no exterior de 0,1% da população supera aos ativos da metade mais pobre, somando cerca de US$ 2,84 trilhões em paraísos fiscais

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  • Aproximadamente US$ 2,84 trilhões em riqueza offshore não tributada estão nas mãos do top 0,1% da população, representando cerca de 80% de todos os fundos não tributados neste tipo de conta.
  • Esse montante é maior do que o valor agregado das riquezas de metade mais pobre do mundo, com o total de riqueza offshore não tributada e não reportada estimado em US$ 3,55 trilhões.
  • Em 2023, a riqueza offshore totalizou US$ 13,25 trilhões, cerca de 12,48% do PIB global; a porção não tributada permanece estável em aproximadamente 3,2%.
  • Dentro do grupo de ultra-ricos, o 0,01% concentra US$ 1,77 trilhão em ativos não tributados offshore.
  • Oxfam pede impostos sobre riqueza, maior transparência financeira e um registro global de ativos, além de uma cooperação internacional mais inclusiva para dificultar a evasão fiscal ligada a paraísos fiscais.

A riqueza não tributada de apenas 0,1% da população mundial supera os ativos de metade mais pobre do mundo, aponta um novo relatório. Estima-se que cerca de 2,84 trilhões de dólares estejam ocultos em contas offshore sem imposto, montante superior à soma de bens da metade mais pobre da humanidade.

O estudo de Oxfam divulgado nesta semana mostra que essa parcela privilegiada concentra quase 80% de todas as fortunas offshore não tributadas, com cerca de 2,84 trilhões de dólares. Dentro desse grupo, 0,01% detêm parte relevante desse montante.

Segundo o relatório, o total de riqueza financeira offshore atingiu 13,25 trilhões de dólares em 2023, equivalente a 12,48% do PIB global, mas a parcela isenta de impostos estabilizou em aproximadamente 3,2% desde então. A estimativa reforça o papel dos paraísos fiscais.

Oxfam aponta que a prática persiste mesmo após os desdobramentos dos Panama Papers, com grandes fortunas sendo movimentadas para evitar transparência e taxação. A organização recomenda reformas para elevar a tributação sobre grandes fortunas.

Entre as medidas apontadas, está a tributação de riqueza progressiva para os ultrarricos, maior transparência financeira e a criação de um registro global de ativos reais. O objetivo é ampliar a arrecadação sem prejudicar a atividade econômica.

O relatório também aponta barreiras técnicas e financeiras que dificultam a cooperação fiscal, especialmente para países em desenvolvimento. O uso de informações por parte de jurisdições receptoras depende de reciprocidade, o que complica o acesso a dados.

A organização ressalta ainda que avanços globais sobre cooperação tributária passam por reforçar a implementação de padrões de informação, ampliar capacidades administrativas e promover maior inclusão de nações periféricas no desenho de regras.

Em nível europeu, o Atlas do Offshore World mostra que a riqueza offshore permanece elevada. Grécia lidera entre os membros da UE em relação ao tamanho dos ativos, seguido por Alemanha, Estônia, França e Reino Unido, em patamares que variam conforme a economia local.

O estudo destaca que muitos ativos são mantidos em países como Suíça, Luxemburgo, Chipseu e Ilhas do Canal, mantendo a tradição de abrigar fortunas paraísos fiscais. Especialistas citam essas tendências ao avaliar políticas de tributação internacional.

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