- As ações da Unilever caíram 24% em um dia após o anúncio de acordo para dividir a empresa com a fabricante de temperos McCormick, reduzindo o valor de mercado em cerca de US$ 42 bilhões.
- O acordo prevê combinar a unidade de alimentos da Unilever com a McCormick, formando uma nova empresa listada nos Estados Unidos, o que elevou dúvidas sobre benefícios imediatos aos acionistas.
- Analistas apontam complexidade do negócio e preocupação com a exposição a uma empresa altamente alavancada, além de incerteza sobre ganhos para a empresa reformulada.
- A S&P Global Ratings manteve grau de investimento da Unilever, porém com perspectiva negativa, citando menor escala e diversidade se a operação for concluída como planejado.
- O valor de mercado atual da Unilever fica em torno de US$ 120 bilhões, cerca de 30% abaixo do pico de US$ 162 bilhões alcançado em fevereiro, com expectativa de 15 a 18 meses de incertezas e ajustes.
A Unilever concordou em unificar a sua unidade de alimentos com a fabricante de temperos McCormick, em um acordo anunciado na terça-feira. A operação busca redefinir a empresa como líder global em beleza, cuidados pessoais e itens domésticos, mas levantou dúvidas sobre ganhos imediatos aos acionistas. As ações da Unilever registraram a maior queda diária desde a crise de 2008, com queda de cerca de 24% e a criação de uma nova empresa listada nos EUA.
O acordo implica que os acionistas da Unilever receberão ações da nova empresa combinada. O mercado avaliou o negócio como mais alavancado e com exposição a operações de alimentos, o que gerou conservadorismo entre investidores e analistas sobre o retorno de curto prazo. A transação também provocou reavaliação do perfil de dívida e da estrutura de capital.
A polêmica sobre a complexidade do grupo, aliada à eventual reestruturação tributária e à volatilidade macroeconômica, provocou reações diversas entre analistas. A Unilever mantém avaliação de rating de grau de investimento, porém com perspectiva negativa pela menor escala das operações após a conclusão da divisão. A comparação com o desempenho recente das ações indica desvalorização acentuada frente ao pico de fevereiro.
Reação do mercado e perspectivas
Analistas destacam que o desfecho da operação pode demandar tempo para gerar valor, especialmente pela necessidade de melhoria de eficiência na nova entidade. Alguns afirmam que a combinação exigirá cautela de investidores diante da alavancagem prevista e da listagem inicial nos Estados Unidos, com possível pressão de venda de detentores europeus.
Investidores também ponderam sobre a composição do portfólio após a separação entre alimentos e o restante do grupo. A avaliação de múltiplos sugere que as ações passam por ajuste significativo, diante de mudanças estruturais e do cenário econômico global. Experts divergem sobre o ritmo de recuperação dos papéis nos próximos meses.
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