- A Operação Chargeback, ocorrida na Alemanha, resultou em buscas em mais de sessenta locais e na prisão de cerca de vinte suspeitos, ligados a um esquema que fraudeou mais de € 300 milhões envolvendo quatro adquirentes alemãs e redes nos Estados Unidos.
- O caso envolve ligação entre empresas de pagamento alemãs, como Wirecard (já em colapso), Unzer, Concardis e Payone, com clientes de alto risco, incluindo sites de pornografia e namoro.
- O FBI havia prendido Ruben Weigand em Los Angeles, em março de 2020, investigando acusações de fraude de pagamentos nos EUA; ele era apontado como elo entre redes criminosas e as empresas de pagamento alemãs.
- As redes WebOps e FSX, sediadas nos Estados Unidos, teriam operado mais de mil e quatrocentos sites fraudulentos, usando cartões roubados e assinaturas de baixo valor para ocultar os golpes, com apoio de empresas de pagamento da Alemanha.
- O caso acelerou restrições regulatórias no setor na Alemanha, levando a quedas de valor de ações de grandes players (Worldline, Nexi) e a uma maior vigilância do BaFin sobre pagamentos, com medidas de monitoramento e melhoria de controles desde 2021.
Alguns meses após a deflagração da chamada “Operação Chargeback”, autoridades alemãs e internacionais investigam um esquema milionário envolvendo redes de pagamento na Europa. A fraude, estimada em mais de 300 milhões de euros, teria ligação com clientes de alto risco e sites de conteúdo adulto e de namoro, operados com o aval de fintechs alemãs.
A investigação aponta que a operação envolveu quatro empresas de pagamento alemãs, com vínculos a redes norte-americanas. Em Koblenz, promotores afirmam ter identificado suspeitos ligados a companhias como Unzer, Wirecard, Concardis e Payone, além de redes envolvidas em fraudes com cartões roubados.
Os conduzidos pela Justiça alemã teriam cooperado com redes de fraude que contaram com o uso de sites falsos para pornografia e namoro. Em 2023 e 2024, medidas regulatórias passaram a restringir clientes de alto risco e reforçar controles de lavagem de dinheiro em diversas empresas do setor.
Cenário e desdobramentos
Relatórios indicam que a Wirecard, extinta após um grande escândalo contábil, já apresentava vínculos com redes de pagamento há anos. A operação revelou falhas de compliance em fintechs europeias que deram margem a práticas ilícitas associadas a clientes de alto risco.
A investigação, que envolve autoridades da Alemanha e dos EUA, aponta que as redes WebOps e FSX teriam usado cartões de crédito obtidos de vítimas para alimentar mais de 1.500 sites por meio de centenas de empresas de fachada, principalmente no Reino Unido e no Chipre.
Impactos no setor e respostas regulatórias
Com o avanço do caso, acionistas e investidores enfrentaram quedas de valor em empresas do setor. A Worldline registrou forte recuo, assim como a Nexi, que ficou associada à Concardis em transação de 2020. Medidas de compliance passaram a ser prioridade para companhias como Payone, Unzer e outras envolvidas.
Autoridades alemãs afirmam que, desde 2021, o BaFin intensificou a supervisão de pagamentos e impôs monitoramentos a várias empresas para corrigir deficiências. A Payone e a Unzer continuam sob supervisão, com ajustes em políticas de risco e conformidade.
Situação atual e perspectivas
Até o momento, mais de 60 locais foram vistoriados e cerca de 20 pessoas foram presas no âmbito da operação. Promotores apontam que o caso envolve dezenas de suspeitos, com vínculos a executivos de várias empresas de pagamento. A investigação continua em andamento, com a cooperação entre autoridades alemãs e americanas.
A atuação das redes de pagamento na direção de clientes de alto risco permanece no centro do debate sobre sustentabilidade de modelos fintech. Empresas do setor reiteram que reforços de compliance são indispensáveis para reduzir riscos e garantir conformidade regulatória.
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