- Em 2024, o agronegócio respondeu por 23,2% do PIB; em 2025, exportou US$ 169,2 bilhões e sustentou 48,5% das vendas do país ao exterior.
- Em 2025, o setor registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial, contra 193 em 2021, 534 em 2023 e 1.272 em 2024.
- O aporte de crédito e a expansão do tamanho das operações criaram uma percepção de robustez que, com a mudança de ciclo, deixou fragilidades surgirem.
- A recuperação judicial passou a ser usada como defesa tática para estancar cobranças e adiar crises, gerando impactos no mercado.
- Pesquisas do IBGC com a KPMG apontam lacunas de governança: apenas metade das empresas tem conselho, e áreas como sucessão, gestão de risco e planejamento financeiro ainda são deficiências.
O agronegócio brasileiro segue sendo um pilar da economia, respondendo por 23,2% do PIB em 2024 e por 48,5% das exportações em 2025, com US$ 169,2 bilhões. O setor sustenta câmbio, balança comercial e a narrativa de força do país.
No entanto, a vitrine contrasta com o caixa. Em 2025, houve 1.990 pedidos de recuperação judicial no agro, ante 1.272 em 2024 e 193 em 2021. A alta recente indica fragilidade estrutural, não apenas conjuntural.
A repetição de crédito facilita pausar problemas, mas não resolve a raiz. A expansão financiada pela dívida antiga, novos empréstimos e valorização da terra alimentaram uma lógica de pedaladas financeiras.
Contexto financeiro
O crédito abundante passou a funcionar como extensão da sobrevivência, não como combustível de crescimento. Entrava dinheiro novo para ganhar tempo, não para reorganizar a estrutura produtiva.
A recuperação judicial ganhou papel de defesa tática para estancar cobranças e reorganizar mesas de negociação, em vez de ser instrumento excepcional de reestruturação.
Desafios de governança
Estudo do IBGC com a KPMG aponta que metade dos empresários rurais tem algum conselho, mas falhas em sucessão, gestão de risco e controles internos persistem. A governança ainda fica aquém do discurso.
No campo, estruturas de decisão lembram mais firmas improvisadas do que grandes organizações, o que agrava vulnerabilidades quando o ciclo econômico muda.
Repercussões e respostas institucionais
O Judiciário enfrenta complexidade técnica em casos de CPR, barter e crédito agrícola. O CNJ editou diretrizes para recuperação de produtores rurais em 2026; o STJ reforçou limites a créditos ligados a barter.
Apesar dos problemas, o agro mantém peso na balança externa e no PIB. O setor continua relevante, com exigência de ajustes para reduzir vulnerabilidades.
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