- Bosnia e Herzegovina encara atraso na transição energética, mantendo dependência de carvão para geração de energia e enfrentando desafios regulatórios e financeiros.
- Em Kakanj, há quarenta e quatro centenas de milhões de toneladas de carvão lignito, gerando milhares de empregos, com produção prevista para subir a oitocentos mil toneladas em 2026.
- As usinas a carvão em operação lançam altas quantidades de dióxido de enxofre e particulados; índices de poluição podem ultrapassar limites, provocando alertas de qualidade do ar.
- Um desulfurizador está sendo instalado em Kakanj e deve entrar em operação no fim de dois mil e vinte e sete; a meta é atender aos limites da União Europeia até dois mil e vinte e oito.
- A União Europeia pressiona por reformas – inclusão de sistema de comércio de emissões (ETS) e CBAM para comércio de carbono – além de disponibilizar recursos para a transição justa, com planos de financiamento e reformas institucionais.
O carvão continua a dominar a matriz energética da Bósnia e Herzegovina, atrasando a transição para fontes liminares. Em Kakanj, cidade do centro do país, a produção de lignito sustenta milhares de empregos, mas gera poluição e impostos ambientais elevados.
Na cidade, existem 440 milhões de toneladas de carvão sob exploração em uma das maiores jazidas da Europa. Operários locais relatam que o trabalho de mineração já passa por várias gerações, com cerca de 1.200 trabalhadores ativos hoje.
A produção em Kakanj deve subir de 700 mil toneladas no ano passado para 800 mil em 2026, mesmo diante de emissões significativas de CO2 e SO2. O setor continua dependente do carvão, apesar dos impactos ambientais.
O diretor da mina, Iso Delibašić, afirma que a economia local depende da energia gerada pela central. Segundo ele, reservas geológicas devem durar entre 40 e 50 anos, o que sustenta a continuidade da operação.
O ritmo de reformas é questionado: unidades antigas da usina, de décadas passadas, seguem em operação sem filtros modernos. Dados de organizações ambientais apontam emissões de SO2 muito acima dos limites permitidos.
Em Kakanj, a poluição é complementada por uma usina de cimento e por lares que aquecem com carvão. Moradores relatam alertas de qualidade do ar muito ruins e preocupações com a saúde, incluindo casos de câncer.
Especialistas ouvidos na região conectam a poluição ao aumento de doenças respiratórias. Pesquisas indicam que a carga de material particulado e SO2 está associada a piora da saúde pública, especialmente entre moradores de áreas próximas às usinas.
A cidade já anunciou medidas emergenciais: redução temporária de algumas unidades e construção de uma planta de desso2rização, prevista para operar até o fim de 2027. A expectativa é cumprir normas da UE a partir de 2028.
Planejado, ainda, o desentupimento da rede de energia depende de investimentos em gás, renováveis e eventual hidrogênio. Autoridades locais defendem a necessidade de manter empregos enquanto avançam rumo a uma transição justa.
A região enfrenta pressão externa e interna para alinhar-se às diretrizes da UE. Em Bruxelas, a Comissão Econômica e a comunidade energética destacam a ausência de um regime de comércio de carbono compatível com a UE.
A União Europeia já destina recursos a Bosnia e Herzegovina para facilitar a transição justa. Projetos incluem modernização de hidroelétrica, parques eólicos e melhorias de eficiência energética no setor público.
Entretanto, autoridades indicam que a implementação da legislação energética a nível do Estado ainda depende de aprovações parlamentares. A falta de marco legal atrasa estratégias como o sistema de emissão de carbono na linha da UE.
A região de Zenica-Doboj monitora a qualidade do ar com várias estações fixas e móveis. Pesquisadores apontam peaks de SO2 ligados, segundo eles, à chaminé da central de Kakanj, com concentrações muito acima do permitido.
A descarbonização completa segue prevista para 2050, com planos de desengatar o carvão e, no curto prazo, reforçar a produção de gás. A meta depende de reformas legais, financiamento e cooperação entre entes federados.
Ainda em Sarajevo, a Elektroprivreda BiH sinaliza atraso na legislação para uma transição justa. O diretor-geral afirma a necessidade de leis mais ágeis e de financiamento para novas capacidades renováveis.
Especialistas internacionais ressaltam que não há exceções para BiH no CBAM, o mecanismo de ajuste de carbono da UE, que entra em vigor em 2026. A falta de dados de emissões confiáveis pode elevar custos para exportadores locais.
As autoridades reconhecem que a implementação de um regime de comércio de emissões alinhado à UE é obrigatória para a adesão. A transição requer reforma institucional, aprovação de leis e melhoria de políticas climáticas.
A UE já destinou mais de 335 milhões de euros em subsídios e empréstimos para a transição verde na Bósnia, incluindo projetos de eficiência energética, parques eólicos e modernização de plantas.
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