- Estudo da Macroinfra aponta saturação nos principais portos brasileiros e alerta que a capacidade de movimentação de contêineres pode chegar ao limite nos próximos anos, com saturação completa prevista para 2032 e esgotamento possivelmente até 2040 (dados usados entre 2015 e 2025).
- Entre Santos, Paranaguá, Itajaí, Navegantes e Itapoá há sinais de operação no limite ou acima da capacidade prática, o que aumenta custos, atrasos e risco de paralisações.
- A ocupação nesses terminais subiu de modo expressivo: Santos passou de 55,9% em 2015 para 79,7% no último ano; Itapoá atingiu 88,7% em 2024; Paranaguá chegou a 86,0% em 2025.
- Com gargalos nos portos principais, houve migração de fluxo para terminais secundários, como o Porto do Rio de Janeiro, que quase dobrou sua participação no total de contêineres entre 2015 e 2025.
- A demanda prevista para os próximos quatro anos envolve cerca de 20,4 milhões de TEUs (unidades equivalentes a contêineres de 20 pés), próxima da capacidade total estimada de 23 milhões, indicando necessidade de novas expansões e projetos com urgência.
Portos brasileiros podem alcançar o limite de movimentação de contêineres nos próximos anos, segundo estudo da Macroinfra. A pesquisa analisa dados da Antaq de 2015 a 2025 e aponta saturação em terminais de destaque, com migração de fluxos para unidades menos carregadas. O tema envolve impactos na cadeia logística, custos adicionais e riscos de interrupções.
O trabalho indica que a saturação já é visível nos principais terminais, elevando custos operacionais e atrasos. A Macroinfra aponta que, sem expansão de capacidade, a demanda poderá superar a disponibilidade de infraestrutura em curto prazo, pressionando o sistema como um todo.
Segundo o levantamento, o Porto de Santos, maior complexo portuário da América Latina, opera sob pressão extrema. A taxa de ocupação aumentou de 55,9% em 2015 para 79,7% em 2024, segundo dados da série histórica analisada. A produtividade avançou, mas não acompanha o crescimento da demanda.
Itajaí, Navegantes e Paranaguá também apresentam saturação
No Porto de Paranaguá, a taxa de uso do TCP principal subiu para 81,8% em 2024 e 86,0% em 2025, com queda de produção para 88 TEUs/hora em 2024, após pico de 107 TEUs/hora em 2023. Em Itapoá, Santa Catarina, a ocupação passou de 50,2% em 2015 para 88,7% no último ano, com produtividade de 93 TEUs/hora em crescimento.
O terminal de Itajaí e o Porto de Navegantes mostram sinais de sobrecarga também, refletindo a pressão geral sobre a região Sul. A soma dos quatro terminais citados contribui para um quadro de saturação que se estende ao longo dos anos analisados.
Migração de fluxos para terminais secundários
Com gargalos nos principais portos, houve redistribuição de cargas para terminais menos ocupados. O Porto do Rio de Janeiro ganhou participação, de 3,7% para 6,2% do total de contêineres entre 2015 e 2025, com crescimento de 292 mil TEUs para 917 mil TEUs.
Outros portos nordestinos, como Salvador, Pecém (CE) e Suape (PE), também ampliaram sua participação, absorvendo cargas deslocadas de corredores congestionados. A demanda externa e interna por contêineres segue crescendo; entre 2015 e 2024 houve aumento de 60% no fluxo de exportações e importações, enquanto o cabotagem interno subiu 111%.
Apesar das obras em andamento, como o STS10 em Santos e o novo terminal da Maersk em Suape, a Macroinfra sustenta que a expansão não acompanha a crescente demanda. A projeção aponta uso total de 20,4 milhões de TEUs em quatro anos, ante uma capacidade estimada de 23 milhões, sugerindo necessidade de novos projetos para sustentar o crescimento econômico.
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