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AP lucra com IA enquanto receitas de jornais caem

AP demite cerca de 150 jornalistas em reestruturação que reduz cobertura local e aumenta foco nacional e licenciamento de dados para IA

Com receita dos jornais encolhendo, a Associated Press ganha com a AI
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  • A Associated Press anunciou corte de cerca de cinco por cento de seus jornalistas, afetando aproximadamente 150 profissionais entre mais de milhar de funcionários em cerca de 250 birôs em 90 países.
  • A AP manterá a cobertura nos 50 estados dos Estados Unidos, reduzindo a atuação hiper-local e ampliando a cobertura nacional e em vídeo.
  • A cooperativa, sem fins lucrativos, viu jornais impressos responderem por menos de dez por cento da receita nos últimos anos, enquanto receitas de plataformas digitais quase dobraram.
  • Grandes clientes licenciavam conteúdos da agência, incluindo Google, OpenAI, Kalshi, Microsoft e Amazon; a AP já fechou acordo com a OpenAI em 2023 e lançou serviços como Snowflake Marketplace e AP Intelligence.
  • O sindicato News Media Guild critica as demissões, afirmando que a empresa não oferece treinamento adequado; os cortes afetam principalmente birôs dos EUA, com possibilidade de demissão caso não haja adesão ao plano de demissão voluntária.

A Associated Press (AP), maior agência de notícias do mundo, anunciou cortes que alcançam cerca de 5% de seus jornalistas. A medida faz parte de uma reestruturação do modelo de negócios da cooperativa de veículos de mídia, com foco em reduzir a cobertura hiper-local.

A AP não confirmou o número exato de demissões nem o quadro total de funcionários, mas estima-se que a equipe municipalize pouco mais de 3 mil profissionais, distribuídos em cerca de 250 birôs em 90 países. O corte impactaria aproximadamente 150 profissionais.

Segundo Julie Pace, editora executiva, em entrevista à Axios, os layoffs integram uma mudança mais ampla: reduzir a cobertura local e ampliar a cobertura nacional e em vídeo. A ideia é realinhar fontes de receita com a nova demanda do mercado.

Reestruturação e contexto financeiro

Fundada em 1846 para dividir custos de cobertura entre jornais locais, a AP opera sem fins lucrativos. Nos últimos anos, a fatia de jornais impressos na receita caiu para menos de 10%, após uma redução acumulada de 25% em quatro anos.

Em contrapartida, a receita oriunda de empresas digitais e de tecnologia — como plataformas de vídeo, IA e startups — cresceu perto de 200% no mesmo período. A AP passou a licenciar conteúdos para gigantes do setor, incluindo dados eleitorais, para treinar modelos.

A tendência de mudanças já se reflete em grandes veículos: USA Today e McClatchy anunciaram encerramento de assinaturas com a agência. Além disso, firmas como Google, OpenAI, Kalshi, Microsoft e Amazon passaram a licenciar conteúdos da AP.

Medidas adicionais e resposta

Pace afirma que as contas da AP estão estáveis e em posição de força financeira, com receitas estáveis. O corte de quadro, diz a executiva, decorre da transformação da demanda por cobertura.

O News Media Guild, sindicato dos jornalistas, criticou as demissões e disse que a AP pode oferecer treinamento para a força de trabalho. O sindicato acusa a empresa de recorrer a IA e de abrir mão de profissionais experientes sem capacitação adequada.

A AP já atua no setor de IA há tempo: em 2023 licenciou parte de seu acervo para a OpenAI e, no ano seguinte, disponibilizou dados na Snowflake Marketplace. Também criou a AP Intelligence para mercados financeiro e publicitário.

Os cortes atuais afetam principalmente jornalistas dos birôs dos EUA. O plano prevê oferecer demissão voluntária a funcionários sindicalizados; se não houver adesões, serão demitidos. Em 2024, a AP registrou outro expressivo corte, de cerca de 8%.

A organização mantém seu modelo único, sem dono controlador, com veículos membros elegendo um conselho que toma decisões estratégicas. O objetivo é preservar uma cobertura relativamente isenta e imparcial, típica da agência.

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