- O óleo de soja foi o principal ganho do 1º trimestre, com alta de 43,48% entre janeiro e março, apoiado pelo aumento do petróleo e pela demanda por biocombustíveis.
- O Estreito de Ormuz, ao ficar aberto ou fechado conforme o contexto, elevou custos de transporte e de fertilizantes, impactando a oferta de grãos e oleaginosas.
- O café recuou 14,45% no trimestre, com melhora na oferta em países-chave e chuvas no Brasil reduzindo a pressão sobre os preços.
- O cacau caiu 45,59% em relação aos picos de 2024/25, após excesso de oferta, estoques acumulados na África Ocidental e menor demanda.
- O trigo registrou altas, com o trigo duro vermelho de inverno subindo 23,85% e o trigo mole vermelho de inverno alta de 21,94%, em meio a tensões geopolíticas e ajustes de oferta; o óleo de palma avançou quase 20% com expansão de biocombustíveis pela Indonésia.
O fechamento do Estreito de Ormuz alterou fluxos globais de energia e elevou custos de transporte e fertilizantes, impactando as cotações agrícolas. O efeito foi sentido pela cadeia produtiva, com volatilidade maior e ajustes de oferta. O petróleo em alta amplia o custo de insumos e logística.
Segundo analistas, o cenário favoreceu o óleo de soja e o trigo, que subiram no primeiro trimestre de 2026. A demanda por biocombustíveis e a pressão por segurança alimentar contribuíram para sustentar preços, apesar de quedas em outros itens. Profissionais destacam a relevância de prazos e políticas públicas.
Arkady Gevorkyan, Citi, aponta que a interrupção no tráfego marítimo no estreito representa risco para cereais e oleaginosas. A duração do bloqueio pode reverter preços de novas safras e influencia o planejamento de custos. A entressafra e a alta dos insumos agravam o cenário.
O óleo de soja lidera ganhos; café e cacau recuam
O óleo de soja registrou alta expressiva, com avanço de 43,48% no I trimestre, impulsionado pelo petróleo e pela demanda por biocombustíveis. Em Chicago, o contrato de maio alcançou patamares próximos aos máximos de três anos. O mercado também avaliou políticas sobre mistura de biocombustíveis.
A indústria de óleos vegetais recebeu apoio da elevação de preços do petróleo, estimulando substituições por biocombustíveis. A cotação do óleo de palma seguiu alta, diante de ampliação de estratégias da Indonésia para biocombustíveis. O trigo também apareceu entre as altas, especialmente o duro vermelho de inverno.
Cacau e café tiveram trajetória contrariada. O cacau recuou 45,59% em relação a picos de 2024/25, ajustando oferta e demanda após excedentes e menor demanda industrial. Ole Hansen, Saxo Bank, aponta que a correção reflete equilíbrio momentâneo.
O café caiu 14,45% no trimestre, com menor pressão após melhoria na oferta em países-chave. Chuvas no Brasil e acúmulo de produto por classificar contribuíram para a fraqueza de preços, e exportações brasileiras recuaram de 50,4 milhões para 38,8 milhões de sacas nos últimos 12 meses.
Panorama de produção e demanda
A produção mundial de café deve subir para cerca de 180 milhões de sacas em 2026/27, segundo Rabobank, com maior impulso do arábica brasileiro. Ambiente de oferta mais favorável, aliado a safra robusta no Vietnã, sinaliza superávit. Citi Research projeta preços ao longo de três a doze meses.
Entre fertilizantes, o fechamento de fábricas e a redução de insumos elevam custos. Gevorkyan alerta que isso pode impactar margens de produtores, principalmente no Brasil e na Índia. O peso dos fertilizantes no custo de cereais varia entre 50% e 60%.
Dados de plantio nos EUA mostraram área menor destinada a trigo e soja do que o esperado, gerando pressões de alta. A indústria agrícola global enfrenta incertezas geopolíticas, energia e logística, que moldam o equilíbrio entre oferta e demanda no trimestre.
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