- A Hole fechou permanentemente o espaço em West Hollywood, Los Angeles, após dificuldades para pagar aluguel, impostos e pagamentos a artistas e trabalhadores; a última exposição encerrou em setembro de 2025.
- Durante a semana de arte de Los Angeles, a cidade sediou feiras e pop-ups que elevaram a visibilidade de projetos ligados à galeria, como 99CENT e Felix Art Fair, mas a expansão para LA elevou custos operacionais.
- A expansão para Los Angeles ocorreu em meio a um período de contração do mercado, o que aumentou as despesas e pressionou o fluxo de caixa da galeria, segundo relatos de artistas e ex-funcionários.
- Registros judiciais indicam débitos atrasados: mais de $120 mil em aluguel e impostos atrasados no espaço de Tribeca, e mais de $60 mil em aluguel no Bowery; disputas legais buscam despejo e cobranças.
- Diversos artistas disseram ter visto pagamentos atrasados ou não recebidos por obras vendidas; alguns receberam apenas após pressão ou ações legais; a fundadora afirma que a empresa busca estabilizar e focar em Nova York.
A galeria The Hole anunciou o fechamento definitivo de sua sede em Los Angeles. A decisão chega após a organização enfrentar dificuldades para quitar contas, pagar artistas e ocupar os espaços na semana de arte de Los Angeles, em fevereiro, período de alta movimentação do calendário internacional.
Segundo relatos de ex-funcionários, artistas e fundadores, a The Hole viveu um período de gastos elevados com expansão para novas cidades e espaços maiores entre 2021 e 2023. Quando esse patamar de compradores diminuiu, os problemas de caixa passaram a afetar pagamentos e aluguel, sinalizando um desaquecimento no setor.
O estabelecimento de West Hollywood foi o foco do fechamento, com a última exposição dedicada ao artista Nicholas Hondrogen tendo ocorrido em setembro de 2025. A galeria mantém operações em Nova York, mas o Los Angeles foi desativado de forma permanente.
Dívidas e disputas de aluguel
Arquivos judiciais mostram que, entre julho e setembro de 2025, proprietários de dois imóveis em Manhattan buscaram despejo e indenização. Tribeca acumula mais de 120 mil dólares em aluguel e tributos imobiliários atrasados. Em Bowery, a dívida soma mais de 60 mil dólares.
Grayson relembra dificuldades financeiras e afirma que está buscando normalizar as pendências. A proprietária diz estar em dia com o aluguel da Bowery e quitando dívidas da Tribeca aos poucos. As ações judiciais apontam para dívidas não resolvidas no momento das petições.
Pagamentos a artistas e trabalhadores
Testemunhos de artistas e ex-funcionários indicam atrasos no pagamento de obras vendidas e salários, com alguns casos resolvidos apenas meses depois. Em alguns exemplos, artistas relataram pagamentos parciais ou atrasos que chegaram a quase um ano.
Uma artista descreve ter recebido, em janeiro de 2025, o saldo referente a uma venda ocorrida entre 2024 e 2025, após insistência repetida. Outro caso envolve desconto não autorizado de uma obra consignada, pago apenas 12 meses depois, após questionamentos.
Ajustes operacionais da galeria
Grayson relata que, em 2024, a The Hole buscou reduzir despesas, inclusive encerrando a participação em várias feiras de arte. Em 2025, manteve apenas feiras core, reduziu shows, despesas com viagens e hospitalidade. A galeria reduziu significativamente a participação em feiras, de 12 em 2023 para uma em 2026.
Profissionais da área apontam que a expansão para Los Angeles, durante um período de retração no mercado, elevou custos fixos sem infraestrutura adequada para sustentação, contribuindo para o quadro de liquidez. A The Hole afirmou buscar soluções para estabilizar a operação.
Contexto do mercado
Os relatos sobre The Hole refletem uma tendência maior no setor de galerias, com encerramentos e retração de operações em várias cidades. Em 2025, outras casas de renome também anunciaram fechamento de espaços, reiterando os desafios de custeio de operações multilocais.
A responsável pela The Hole afirma que os últimos meses indicam melhoria gradual, mantendo o foco na consolidação em Nova York e na estabilização financeira. O objetivo é operar de forma mais enxuta enquanto se buscam fontes de receita estáveis.
Fontes consultadas para a reportagem indicam que os impactos incluem atrasos salariais, pagamentos a artistas e disputas com proprietários. A cobertura detalha o que ocorreu, quem esteve envolvido, quando e onde, sem atribuir julgamentos ou opiniões.
Observação sobre fontes: as informações são baseadas em relatos do The Art Newspaper e coberturas de Artnet News, que acompanharam o desdobramento da The Hole e de outros players do mercado nos últimos anos.
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