- O Bank of America reduziu a recomendação da Suzano de compra para neutra e diminuiu o preço-alvo de R$ 82 para R$ 57.
- A ação caiu mais de 6% após o relatório, com leilão de 22 milhões de ações coordenado pelo BTG Pactual.
- O banco afirma que o mercado global de celulose entra em um ciclo estrutural de preços mais baixos, pressionando o EBITDA e o lucro da empresa.
- Projeções revisadas apontam lucro de R$ 5,9 bilhões neste ano e R$ 5,8 bilhões em 2027, com EBITDA de R$ 21,3 bilhões e R$ 23,8 bilhões, respectivamente.
- A expansão de capacidade na China e na América Latina pode sustentar a oferta acima da demanda, elevando o risco de excesso de oferta, com projetos relevantes no Brasil somando quase 13 milhões de toneladas.
O Bank of America rebaixou a Suzano de compra para neutra, reduzindo o preço-alvo da ação de R$ 82 para R$ 57. A justificativa é a percepção de um novo ciclo estrutural de preços mais baixos na celulose, apontando impactos no EBITDA e no lucro da empresa dos Feffer.
A reação do mercado foi rápida. O papel caiu mais de 6% após o relatório, com um leilão de 22 milhões de ações coordenado pelo BTG no início da tarde. A Suzano mantém valor de mercado em torno de R$ 58,6 bilhões na B3.
O downgrade do BofA marca a estreia entre as grandes casas de investimento com cobertura sobre a Suzano. Hoje, a empresa possui cobertura de cerca de 15 bancos e corretoras, todos com recomendação de compra.
Para o banco, a expansão de capacidade na América Latina e a autossuficiência chinesa devem manter preços pressionados por mais tempo, freando o potencial de alta da ação. O analista aponta riscos de curto e longo prazos para a commodities.
A análise destaca que o atual ciclo de alta da celulose tende a desacelerar, com estoques chineses elevados, baixa rentabilidade de fabricantes de papel e cotações abaixo de benchmarks. Há sinais de retomada de capacidade na Chenming e de flexibilização de restrições florestais na Indonésia.
Mesmo com o cenário desfavorável, o BofA considera a Suzano ainda com valuation aceitável, negociando em torno de 6,4x EV/EBITDA, e com retorno de fluxo de caixa livre estimado em cerca de 5,4% em 2026.
Projeções revisadas apontam EBITDA de R$ 21,3 bilhões para este ano e R$ 23,8 bilhões para 2027, contra estimativas anteriores de R$ 22 bilhões e R$ 25,1 bilhões. O lucro líquido previsto cai para R$ 5,9 bilhões em 2024 e R$ 5,8 bilhões em 2027.
A instituição também rebaixa a previsão do preço de longo prazo da celulose, de US$ 600 para US$ 550 por tonelada, com possibilidade de ficar ainda menor em cenários de estresse.
Entre as mudanças setoriais, o relatório destacou o crescimento da produção de celulose de madeira na China, que passou de 12,6 milhões para cerca de 26 milhões de toneladas anuais nos últimos cinco anos, alterando o país de comprador para participante da oferta.
A China deve seguir ampliando sua capacidade, com pipelines de aproximadamente 6 milhões de toneladas adicionais, segundo o BofA. No Brasil, projetos relevantes devem elevar a oferta de fibra curta, com quase 13 milhões de toneladas previstas para entrar em operação nos próximos anos.
Os investimentos latino-americanos, aliados a uma demanda com ritmo mais fraco, devem sustentar o excesso de oferta e pressionar os preços a longo prazo, avalia o banco. O Sucuriú (Arauco), Natureza (CMPC) e Bracell em Bataguassu aparecem como destaques no pipeline.
Essa combinação de fatores ajuda a entender a visão negativa para a Suzano sob o atual cenário de mercado, segundo o BofA, que mantém cautela sobre a trajetória de preços da celulose nos próximos anos.
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