- Gestores de Bradesco Asset, Ibiuna Investimentos, Dahlia Capital e Springs Capital veem a bolsa com valuation atrativo, mas dizem que a guerra, os juros e as eleições vão influenciar o desempenho em 2026.
- O início de 2026 foi marcado por dólar fraco e busca por investimentos fora dos EUA; porém, a guerra elevou a cautela a partir de março e reduziu fluxos para mercados emergentes.
- O fluxo de capital estrangeiro para o Brasil, neste ano, está em torno de R$ 50 bilhões; a expectativa é de retorno desse fluxo após o fim do conflito, com o benefício da diversificação.
- O Copom cortou a Selic para 14,75% ao ano em março; projeção é de juros entre 11% e 12% nos próximos 12 a 18 meses, o que deve tornar o Brasil mais atrativo para investidores.
- O maior risco é um conflito prolongado no Oriente Médio que possa elevar inflação e ampliar a chance de recessão global; a retomada da renda variável depende também do retorno do investidor doméstico, que precisa de cortes de juros mais consistentes.
A bolsa brasileira segue com valuations atrativos, segundo gestores de Bradesco Asset, Ibiuna Investimentos, Dahlia Capital e Springs Capital. A leitura é de que o ciclo de cortes de juros e o desfecho do conflito no Oriente Médio podem definir o desempenho em 2026.
Guedes de Bradesco Asset dizem que o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil no ano fica em torno de 50 bilhões de reais, e que o fim da guerra pode reativar esse movimento de diversificação. O comentário foi feito durante painel no Brazil Investment Forum.
Entre os participantes, André Lion, da Ibiuna Investimentos, ressalta que a situação geopolítica mantém incertezas, mas que há espaço para a bolsa entregar ganhos em setores que mostram resultados sólidos. A projeção envolve melhora macro gradual.
Sara Delfim, da Dahlia Capital, aponta que o Ibovespa já entregou retorno superior ao CDI nos últimos três anos, com ganhos puxados por lucros de empresas. O destaque fica para setores com bom desempenho e dividendos estáveis.
André Caldas, da Springs Capital, cita que o cenário macro facilita o otimismo, com perspectiva de queda de juros no Brasil. Ele estima que a Selic possa ficar entre 11% e 12% nos próximos 12 a 18 meses, sustentando atratividade de ativos.
Contexto macro e fluxos de capital
A guerra no Oriente Médio ampliou cautela e reduziu fluxos para mercados emergentes desde março. Ainda assim, gestores acreditam que o impacto deve ser passageiro e não comprometer a visão de médio prazo para a bolsa brasileira.
No curto prazo, o Copom já reduziu a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. A expectativa é de continuidade do ciclo de cortes, com atenção à evolução da inflação diante do cenário externo.
Lion ressalta que a retomada de investimentos no setor de energia, entre outros, pode moderar o ajuste required para recompor o investidor doméstico. A volta de fluxos passa, segundo ele, pela confirmação de cortes mais consistentes.
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