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Líderes indígenas pedem financiamento florestal com participação indígena

Lideranças indígenas exigem participação plena e partilha de benefícios em REDD+ para evitar exclusão e fortalecer credibilidade do financiamento florestal

Emergent rainforest tree in the Amazon. Photo by Rhett Ayers Butler for Mongabay.
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  • Lideranças indígenas, afrodescendentes e comunidades tradicionais destacam a importância de participação efetiva na distribuição de benefícios de créditos de carbono relacionados a florestas, para que haja justiça e respeito aos direitos.
  • O mercado voluntário de carbono florestal mantém atividade em 2025 e deve crescer em 2026, com créditos de alta integridade ligados a natureza e florestas.
  • Exemplos práticos: no Pará, Brasil, comunidades tradicionais participam de um processo de consulta de REDD+ em escala histórica, buscando base territorial para decisões de compartilhamento de benefícios; na Costa Rica, povos indígenas ajudaram a desenhar um marco de participação vinculando créditos da LEAF Coalition; no norte do Equador, comunidades afrodescendentes estabelecem planos de partilha de benefícios a partir de direitos territoriais reconhecidos.
  • Três lições para 2026: parcerias e confiança entre governos e comunidades são fundamentais; a equidade na distribuição de benefícios precisa considerar direitos, realidades territoriais e contribuições históricas; transparência nas regras de distribuição é essencial para credibilidade.
  • O objetivo é que o financiamento climático seja construído com as comunidades, não para elas, assegurando governança clara, participação real e benefícios que cheguem aos povos que protegem os ecossistemas.

O movimento global por créditos de carbono florestal e de natureza ganha impulso. Empresas e governos recorrem às florestas como parte de estratégias climáticas, com demanda prevista para crescer em 2025 e 2026, especialmente por créditos de alta integridade ligados a natureza e florestas.

Para comunidades que vivem e protegem a Amazônia e outros biomas, a participação efetiva na governança do financiamento climático é crucial. O acesso aos recursos, o tempo para decisão e as condições de negociação devem favorecer quem cuida das florestas, sem desvantagens.

Especialistas destacam que a expansão de programas REDD+ jurisdicionais, que cobrem países ou estados, aumenta o fluxo de recursos para territórios, meios de vida e futuros locais. O sucesso depende da participação plena dos povos na definição de como os benefícios são distribuídos.

Construir financiamento climático com comunidades, não para elas

As comunidades indígenas, afrodescendentes e tradicionais repetem que partilhar benefícios não é detalhe técnico, mas questão central para a justiça e a sobrevivência de seus modos de vida. A participação efetiva requer acesso à informação, tempo, espaço e recursos para diálogo de boa-fé.

Experiências em diferentes continentes mostram caminhos práticos. Em Pará (Brasil), comunidades tradicionais participam de um processo de consulta em grande escala ao REDD+ jurisdicional, gerando discussões ancoradas na realidade territorial. Quase mil comunidades gerem cerca de um quinto do território florestal do estado.

Na Costa Rica, organizações indígenas desenvolveram um marco que vai além de consultas pontuais, tratando de posse de terra e segurança jurídica antes de definir a partilha de benefícios. Esse modelo permitiu a participação no mercado de carbono jurisdicional ligado aos créditos LEAF Coalition.

No norte de Esmeraldas (Equador), a Comarca Afro-Ecuadoriana de Esmeraldas criou bases formais de direitos territoriais, para negociar com o governo. O plano de partilha reflete saberes, prioridades e práticas culturais das comunidades, assegurando reconhecimento para a proteção de florestas e manguezais.

Três lições para 2026 e além

Primeira lição: parcerias e construção de confiança são essenciais. Acordos surgem quando governos e comunidades escutam-se mutuamente e se comprometem a longo prazo, com diálogo equitativo, intercultural e institucionalizado.

Segunda lição: equidade não é mero percentual. A distribuição de benefícios deve refletir direitos, realidades territoriais e o papel histórico das comunidades na conservação, indo além de simples métricas de emissões evitadas.

Terceira lição: transparência é fundamental para credibilidade. Regras claras sobre como os benefícios chegam às comunidades fortalecem a confiança de governos, compradores e comunidades.

Reconhecendo os diferentes guardiões da floresta

A proteção florestal envolve várias comunidades, não existe única resposta. Indígenas, afrodescendentes, comunidades tradicionais, pequenos produtores e outras organizações guardam saberes e governança que sustentam as florestas há gerações.

Não há voz única ou necessidades idênticas. O comum, porém, é a responsabilidade compartilhada pela saúde dos ecossistemas. Florestas ecossistemas valorizam o clima global, mas também representam patrimônio cultural, ambiental e econômico.

À medida que programas REDD+ jurisdicionais se expandem em 2026 e adiante, a forma de partilha de benefícios poderá criar confiança ou desconfiança entre comunidades, governos e compradores. O caminho é construir políticas climáticas com participação das comunidades, promovendo partilha equilibrada e transparência.

Inés Morales Lastra, prefeita da Confederación Comarca Afroecuatoriana del Norte de Esmeraldas; José Ivanildo Brilhante, diretor do CNS Pará, no Brasil; e Levi Sucre, coordenador da AMPB, na Costa Rica, assinam o texto, apresentando propostas de implementação e governança.

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