- O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que auditorias e sindicâncias não apontaram qualquer culpa de Roberto Campos Neto no caso Master.
- Galípolo foi sabatado pela CPI do Crime Organizado para esclarecer a atuação do BC no escândalo, que pode envolver delação premiada.
- O Master foi liquidado pelo BC em novembro de 2025; o fundador Daniel Vorcaro está preso desde 4 de março e já firmou acordo de confidencialidade que pode permitir delação.
- O BRB comprou carteiras do Master em 2025 por 12,2 bilhões e enfrenta dificuldades financeiras; houve identificação de créditos sem lastro, contribuindo para o rombo no FGC de quase 52 bilhões de reais.
- As investigações ocorrem em duas frentes: CGU pode aplicar sanções administrativas e a Polícia Federal avança em atuação criminal; há suspeitas envolvendo funcionários do Banco Central.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira, 8 de abril de 2026, que os processos de auditoria e sindicância interna não apontaram culpa de Roberto Campos Neto no caso Master. Ele foi ouvido pela CPI do Crime Organizado para explicar a atuação da instituição no episódio que envolve o maior escândalo bancário já registrado.
Segundo Galípolo, não houve qualquer enquadramento de responsabilidade por parte do ex-presidente do BC nos apurados. O depoimento integra a linha de apuração da CPI, chefiada pelo senador Alessandro Vieira, MDB-SE, que acompanha as investigações sobre o Master e possíveis delações premiadas envolvendo autoridades.
O caso Master envolve o fundador Daniel Vorcaro, que está preso desde 4 de março. Vorcaro é investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos. O BC investiga as operações que levaram ao rombo de quase 52 bilhões de reais no FGC.
BRB e a aquisição do Master
A descoberta de créditos duvidosos do Master ocorreu durante a negociação de compra do banco pelo BRB, em 2025. O BRB assumiu ativos do Master avaliados em 12,2 bilhões de reais e enfrenta dificuldades financeiras após a operação, com plano de capital apresentado em fevereiro para recomposição do balanço.
O BC afirmou ter atuado com cautela para não inviabilizar o processo de aquisição pelo BRB. A instituição informou ter identificado a falta de lastro em carteiras de crédito em junho de 2025 e comunicou autoridades competentes, incluindo a PF e a PGR, na sequência.
Investigações em curso
As apurações correm em duas frentes: CGU, com possível sanção administrativa, e a PF, sob o aspecto criminal. Pares envolvidos passaram por afastamentos, entre eles Paulo Sérgio Souza e Belline Santana, ex-funcionários do Desup, citados em investigações sobre favorecimento de Vorcaro. Souza foi diretor de Fiscalização entre 2017 e 2023, indicado por Temer e Bolsonaro.
O caso também envolve a compra de carteiras pelo Master, a ausência de lastro e a possível fraude. O BC informou que o rito legal foi observado para evitar questionamentos futuros e que abriu canais de esclarecimento com vistas a fundamentar as ações administrativas.
Situação atual do Master e consequências
O Banco Master foi liquidado pelo BC em novembro de 2025. Em março de 2026, Vorcaro assinou um acordo de confidencialidade com PF e PGR, abrindo possibilidade de delação premiada. O acordo ocorreu quase um ano após a operação de compra pelo BRB, que busca recuperação financeira.
O caso provocou impactos no FGC, responsável pelo pagamento de créditos garantidos, com prejuízos para estados e municípios decorrentes de fundos de previdência. O BC destaca que, apesar do tamanho do rombo, o setor financeiro não representa risco sistêmico segundo avaliações públicas.
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