- A América Latina vive uma transição de modelo econômico, com cadeias produtivas mais regionalizadas, tensões geopolíticas e mudanças nas políticas comerciais.
- No Brasil, o crescimento nos últimos 25 anos foi de cerca de 2,1% ao ano, com a produtividade contribuindo apenas 0,7 ponto percentual; a janela demográfica favorável deve durar mais uma década.
- A região pode elevar o PIB até 2040 para entre US$ 8,9 trilhões e US$ 10,3 trilhões se a produtividade crescer entre 1,7% e 2,6% ao ano, exigindo investimento mais eficiente e não apenas mais dinheiro.
- Três frentes para destravar valor: revitalizar a base industrial, avançar na digitalização global e explorar recursos naturais em escala; sete setores aparecem como principais alavancas de impacto.
- No Brasil, o ganho potencial até 2040 fica entre US$ 195 bilhões e US$ 410 bilhões, com destaque para veículos elétricos, baterias, semicondutores, data centers, agroalimentar e petróleo, demandando ação coordenada e políticas que acelerem a produtividade.
A América Latina vive um momento decisivo enquanto o mundo avança para um sistema multipolar. Cadeias produtivas se regionalizam, tensions geopolíticas persistem e políticas comerciais mudam. A região pode ampliar o crescimento via produtividade, o principal motor da virada.
Entre 2000 e 2025, a região cresceu em média 2,3% ao ano, abaixo da média mundial de 3%. Na última década, o ritmo reduziu para cerca de 1,2% ao ano. Países com rendas semelhantes no início do século avançam mais rapidamente hoje.
O Brasil ilustra o desafio: nos últimos 25 anos, o crescimento foi de ~2,1% ao ano, puxado pela força de trabalho. A produtividade somou apenas 0,7 ponto percentual, ficando atrás de Polônia, Malásia e emergentes asiáticos.
A janela demográfica ainda existe, mas deve fechar em cerca de uma década. O país enfrenta o risco de envelhecimento sem ganhos proporcionais de renda, o que torna essencial elevar a produtividade para sustentar o padrão de vida.
Investimento melhor, não apenas mais, é crucial. Se a América Latina elevar a produtividade para entre 1,7% e 2,6% ao ano, o PIB até 2040 pode chegar a US$ 8,9–10,3 trilhões, até 40% acima do cenário base.
Hoje, 80% do capital regional é aplicado em setores de baixa complexidade. Crescimentos bem-sucedidos ocorreram com infraestrutura moderna, manufatura avançada, serviços de alto conhecimento e tecnologias habilitadoras.
No Brasil, a contribuição do investimento para a produtividade é de cerca de 0,9%, metade do observado em economias pares. A reversão desse padrão é apresentada como condição para competir, crescer e incluir.
Três frentes para destravar valor
A América Latina pode capturar valor em três frentes, alinhadas às transformações globais: revitalizar a base industrial, avançar na digitalização e valorizar recursos naturais em escala. Juntas, podem adicionar entre US$ 1,1 trilhão e US$ 2,3 trilhões ao PIB regional até 2040.
Setores com maior potencial incluem manufatura de próxima geração, Power-to-X, serviços digitais, data centers, agroalimentar, petróleo e gás, e minerais críticos. A combinação de produção avançada e tecnologia é central.
Para o Brasil, essa agenda representa uma oportunidade estimada entre US$ 195 bilhões e US$ 410 bilhões adicionais até 2040. O país detém ativos relevantes, como energia limpa, serviços digitais e lideranças regionais em dados.
O Brasil é grande exportador de minério de ferro e responde por mais da metade da produção latino-americana de petróleo. O setor agroalimentar, de alta produtividade, mantém o país entre os principais fornecedores globais de alimentos.
Além disso, a matriz energética limpa favorece soluções Power-to-X, enquanto o Brasil lidera os serviços digitais e data centers na região. Esses ativos estratégicos ajudam a sustentar o crescimento.
Se o país crescer nos setores produtivos de ponta, a renda per capita pode ultrapassar US$ 15 mil, aproximando-se de patamares de economias mais desenvolvidas. A transformação depende de políticas que ampliem produtividade.
Cenário global e oportunidades
O cenário geopolítico atual favorece regiões com localização estratégica, capacidade produtiva e neutralidade relativa. A América Latina pode se tornar parceira confiável em cadeias regionais e resilientes.
A aceleração tecnológica, com IA, computação em nuvem e serviços digitais, abre mercados trilionários. Ainda há espaço para avanços na adoção de tecnologias estratégicas, aproveitando custos trabalhistas competitivos e fuso horário alinhado com a América do Norte.
Para que esse potencial se transforme em crescimento sustentável, são necessários ações coordenadas. Quatro aceleradores aparecem como decisivos: diversificar corredores comerciais, integrar mercados intrarregionais, simplificar marcos regulatórios e capacitar a força de trabalho.
A janela de oportunidade é finita. Com a força de trabalho crescendo menos a cada ano, cada avanço é mais relevante. A produtividade surge como pilar do crescimento sustentável e inclusivo na região.
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