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Crédito em alta leva argentinos a se endividarem para contas, carros e aniversários

Crédito mais acessível eleva endividamento na Argentina, com inadimplência em alta e famílias comprometendo parte da renda para contas, festas e veículos

A vendedora Ana Valerio fez um empréstimo em 2024 para ajudar a pagar a festa de 15 anos da filha e acumulou dívida (Foto: Sarah Pabst/Bloomberg)
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  • A inadimplência em empréstimos pessoais não bancários subiu para 24% em janeiro, segundo dados do banco central.

10,6% das famílias estão com pelo menos 90 dias de atraso em empréstimos bancários, o maior nível desde o início da série histórica em 2010.

A dívida privada está em torno de 1,5 vez a renda dos argentinos, indicando aperto financeiro para muitas famílias.

O acesso ao crédito para consumidores cresceu a 13,6% do PIB desde o fim de 2023, mas juros mais altos ajudaram a frear consumo e elevam inadimplência.

Empresas cortaram cerca de 200 mil empregos formais, e salários não recuperaram o nível pré Milei; custos fixos subiram e cerca de 25% da renda é destinada ao pagamento de dívidas.

Com crédito em alta, argentinos recorrem a empréstimos para pagar contas, carros e celebrações, mas aumento de juros e queda de salários pressionam inadimplência. O exemplo conhecido é de Cristian Dezilio, que comprou um carro usado para o filho com parcelas mensais de 355 pesos, em Buenos Aires.

Apesar de inflação menor e PIB em recuperação, custos elevados voltam a consumir orçamento. O acesso facilitado ao crédito, iniciado sob políticas do governo Milei, ampliou o endividamento de famílias que já enfrentam reajustes em energia e alimentação. Hoje, muitos veem as dívidas avançarem “como uma batalha” mensal.

A inadimplência cresce em ritmo acelerado, refletindo o aperto de renda. Dados do banco central, analisados pela EcoGo, apontam 24% de atrasos em empréstimos pessoais não bancários em janeiro, e 10,6% de famílias com 90 dias de atraso em empréstimos bancários, o maior patamar desde 2010.

Contornos do endividamento

A dívida total das famílias já chega a cerca de 1,5 vez a renda média, segundo a EcoGo. Mesmo com dois anos de crescimento econômico, a inflação não cedeu por completo e a taxa de juros elevada encarece o custo financeiro. O crédito ao consumidor como parcela do PIB subiu para 13,6% desde o fim de 2023.

A população encara ainda cortes de subsídios e desregulamentação de aluguéis, transporte e serviços, elevando despesas para cerca de 22% do orçamento familiar. Antes de novos gastos, cerca de um quarto da renda já está comprometido com dívidas, segundo a Empiria.

A relação entre dinamismo setorial e emprego é desigual. Agricutura, mineração e serviços financeiros cresceram, enquanto indústria, turismo, comércio e construção recuaram, levando a uma redução de vagas formais. Dados do governo indicam queda de cerca de 200 mil empregos formais desde o fim de 2023.

Cenário pessoal e cena local

No subúrbio de Ezeiza, Ana Valerio contratou empréstimo em 2024 para custear a festa de 15 anos da filha, enquanto o marido perdeu empregos em duas ocasiões. O esforço ampliou a dívida familiar, com recebimento de cobrança em algumas situações, evidenciando o acúmulo de compromissos.

O desempenho econômico diverge entre setores. Enquanto alguns atividades apresentam expansão, o conjunto da economia enfrenta dificuldades para manter salários reais, o que alimenta o ciclo de endividamento. A aprovação ao governo Milei recuou em meio ao impacto do crédito ao consumidor.

A leitura macro aponta que o crédito para pessoas físicas, ainda modesto em relação a peers regionais, cresceu desde 2023, ajudando a sustentar consumo. No entanto, a alta de juros no último ano pegou de surpresa muitos tomadores, acelerando inadimplência e pressão sobre o orçamento familiar.

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