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Disciplina fiscal é o verdadeiro teste da Ucrânia na rota para a UE

A disciplina fiscal é o verdadeiro teste da adesão da Ucrânia à UE, com desshadowing, reformas e uso transparente de recursos de reconstrução

Ursula von der Leyen speaks with Ukraine's President as they arrive for an EU Summit at the European Council building in Brussels, March 6, 2025
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  • A disciplina fiscal é considerada o verdadeiro obstáculo de Ucrânia para a adesão à União Europeia, não apenas declarações políticas.
  • O Fundo Ucrânia (Ukraine Facility) de 50 bilhões de euros exige reformas e metas mensuráveis, com todos os programas de recuperação sob um marco único de governança fiscal.
  • Revisões de gasto e planejamento de médio prazo são vistos como essenciais para atender aos padrões europeus de gestão pública.
  • A desilusão da economia (desshadowing) tem servido como recurso fiscal real, com aumentos significativos de arrecadação em setores regulados, como jogo, agrícola, álcool e combustíveis, desde 2021.
  • A estratégia fiscal da Ucrânia, segundo a visão apresentada, deve priorizar eficiência, transparência e responsabilização, antes de discutirem impostos adicionais.

A disciplina fiscal será o verdadeiro teste da adesão da Ucrânia à EU. O uso eficiente de recursos surge como critério crucial ao comparar com as regras europeias, especialmente diante da guerra e do déficit público. Reformas para reduzir a economia informal são vistas como chave para aumentar a arrecadação real.

Ucrânia já mostrou capacidade de transformar reformas para desvelar a atividade econômica paralela em receita efetiva. O ponto central é migrar de medidas emergenciais para um regime fiscal previsível, com planejamento de médio prazo, limites de gasto e responsabilização por resultados.

A discussão aparece em meio a um cenário de recuperação pós-conflito, com a União Europeia atenta não apenas ao volume de ajuda, mas à eficiência de uso dos recursos. A construção de um quadro fiscal estável é visto como requisito para a conformidade com normas europeias.

Desempenho fiscal e governança

O objetivo é que todos os programas de recuperação operem dentro de um arcabouço único, com indicadores de desempenho (KPIs) e prazos transparentes. A ideia é que a gestão pública passe a priorizar resultados verificáveis.

O investimento externo, incluindo o Fundo Ucrânia, exige que a gestão fiscal seja confiável. A meta é alinhar o uso de fundos com padrões de transparência e com avaliações periódicas de eficiência.

A transparência se apoia em revisões de gasto, que ajudam a realocar recursos para prioridades estratégicas. Para a Ucrânia, tais avaliações são indispensáveis, dada a combinação de defesa, bem-estar social e reconstrução.

Desshadowing como recurso fiscal

Relatórios indicam que ampliar a transparência da economia aumenta a receita sem elevar tributos. O setor de jogos de azar, por exemplo, passou a gerar receitas muito acima do registrado anteriormente, após licenciamento e fiscalização digital.

Resultados semelhantes vieram de ajustes em exportações agropecuárias e na tributação de combustíveis e bebidas, com ganho de receita e melhoria na eficiência fiscal. Ainda existem casos de uso indevido de regimes simplificados que demandam reformas adicionais.

A conclusão: a arrecadação depende menos de aumentar alíquotas e mais de tirar a atividade econômica da sombra. A continuidade desse desshadowing deve se tornar parte central da convergência fiscal com a UE.

Caminho para a adesão

Na prática europeia, a resiliência fiscal depende de gasto eficiente e administração justa. A Ucrânia deve seguir a sequência: reduzir programas ineficientes, desmascarar economia informal e, só então, discutir aumentos tributários.

A disciplina fiscal é, para Kyiv, uma questão de confiança. Os contribuintes europeus financiam parte do orçamento mesmo em tempos de guerra e esperam uso eficiente, transparente e responsável dos recursos. Já houve demonstração de capacidade de converter desshadowing em receita.

O próximo passo é consolidar esse sucesso em um modelo sistêmico de governança fiscal alinhado aos padrões europeus. Esse avanço definirá o ritmo da adesão e o impacto da maior operação de reconstrução da região nas últimas décadas.

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