- O dólar caiu para patamar próximo de R$ 5,10 nesta quarta-feira, menor cotação em quase dois anos, após o alívio com o cessar-fogo entre EUA e Irã.
- Analistas destacam que a queda para abaixo de R$ 5 é possível, mas o cenário permanece incerto e com volatilidade.
- Fatores considerados favoráveis ao real incluem fluxo estrangeiro, diferencial de juros e realocação de capital para emergentes.
- O preço do petróleo é visto como elemento que pode manter o câmbio volátil, já que o Brasil é exportador relevante e isso afeta a balança de dólares.
- Contribuem para a visão de dificuldade de queda mais expressiva: incertezas fiscais, eleições e volatilidade associada ao cenário político.
O dólar retornou a patamar próximo de R$ 5,10 nesta quarta-feira (8), impulsionado pelo alívio global com o acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. A queda ocorre após o câmbio chegar a níveis próximos de R$ 5,20, elevando a expectativa de continuidade da atuação do câmbio. O cenário, no entanto, permanece instável.
Analistas veem possibilidade de o dólar recuar para abaixo de R$ 5, mas destacam incertezas. O movimento atual não configura tendência consolidada e pode oscilar conforme a geopolítica e fatores internos. Tendência de curto prazo ainda aponta volatilidade no mercado de câmbio.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, afirma que recuo para valores mais baixos é factível devido a fatores recentes, ainda que o momento exija cautela. Ele destaca que o comportamento do dólar tem mostrado resiliência frente a choques globais.
Segundo Shahini, o comportamento do real tem sido saudável, com fases de alta e fases de consolidação em torno de R$ 5,20 a R$ 5,25, mesmo diante de risco geopolítico. O cenário de juros e fluxo de capitais favorece a moeda brasileira.
Patrícia Palomo, economista da Arau Consultoria, acredita que a queda do dólar é possível, mas não é base para a sua visão de curto prazo. Ela aponta necessidade de redução estrutural do prêmio de risco externo, ligado ao petróleo e ao dólar.
Do lado doméstico, Palomo ressalta a importância de disciplina fiscal, menor incerteza institucional e juros atrativos para sustentar qualquer recuo relevante do câmbio. Esses elementos fariam o país ganhar tração sobre o dólar.
Marco Harbich, CIO da Gordon Capital, concorda que o dólar perto de R$ 5 é cenário de curto prazo, condicionado por eleições, volatilidade e riscos geopolíticos. Ele afirma que, se novas fricções geopolíticas surgirem, o recuo pode recuar rapidamente.
Harbich aponta três motores para o recuo atual: entrada de capital na bolsa, queda de preços do petróleo e o diferencial de juros. Ele ressalta que o cessar-fogo anunciado entre EUA e Irã é frágil e pode ser rompido.
Danilo Coelho, economista, cita o peso do cenário fiscal e das eleições na probabilidade de queda expressiva do dólar. Para ele, não é provável que haja uma sustentação de dólar abaixo de R$ 5 no médio prazo.
Shahini observa que o mercado ainda não precifica plenamente o cenário eleitoral, o que dificulta estimar o quanto o risco político já está no preço. Ele aponta que a percepção pode ganhar fôlego no segundo semestre.
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