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Espanha revisa política migratória após avaliação de impacto econômico

Relatório espanhol mostra que reduzir migração em trinta por cento reduziria o PIB em cinco por cento em uma década, com impactos rurais, escolas e saúde

Pastor Alvaro Esteban cures cheese in Los Cortijos, Ciudad Real, on Friday 10 October 2025.
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  • O governo espanhol modelou o impacto de reduzir migração, dizendo que uma queda anual de 30% nos fluxos reduziria o PIB em cinco por cento em uma década, quatorze por cento até 2055 e vinte e dois por cento até 2075, segundo o Escritório Nacional de Previsão e Estratégia (ONPE).
  • O estudo aponta consequências além do PIB: mais de 220.000 fazendas agroalimentares poderiam ser abandonadas em cinquenta anos, e até 2.300 municípios (cerca de 20% do total) poderiam desaparecer.
  • A ruralidade seria mais afetada: regiões como Orense e Zamora, com média etária alta, teriam condições demográficas parecidas com a estepe siberiana; haveria fechamento de 32.000 salas de aula primárias e 18.000 secundárias.
  • O sistema de saúde enfrentaria queda de oferta de cuidadores em 28% e, para atender a demanda futura, seriam necessários cerca de 483.600 trabalhadores adicionais; a maior parte já é de origem migrante em cidades como Madri.
  • No setor de saúde, a projeção aponta redução de duzentos e sessenta e quatro mil médicos; no âmbito das pensões, até 2075 cada beneficiário exigiria contribuição adicional de € 2.000, com o pico das contas públicas entre 2050 e 2060.

O governo espanhol modelou o impacto econômico de fechar as portas à migração e chegou a resultados que geram desconforto. Segundo o relatório da ONPE, uma redução anual de 30% nos fluxos migratórios provocaria quedas severas no PIB ao longo das próximas décadas, sem mencionar impactos sociais amplos.

De acordo com as projeções apresentadas, a queda do PIB seria de 5% em 10 anos, 14% em 2055 e 22% em 2075 se a migração fosse drasticamente contida. O estudo foi divulgado na mesma semana em que a Espanha atingiu um recorde de 22 milhões de trabalhadores empregados.

No âmbito rural e comunitário, o relatório aponta que até 220 mil fazendas agroalimentares podem ser abandonadas em cinco décadas, o que representaria quase três em cada dez do total ativo hoje. Ao todo, cerca de 20% dos municípios poderiam desaparecer.

Regiões com envelhecimento acentuado, como Orense e Zamora, são citadas como exemplos de condições demográficas extremas. O estudo compara esses ambientes a áreas da Sibéria devido à queda da população ativa e ao aumento da dependência de serviços básicos.

Os desdobramentos também aparecem na educação: a expectativa é de fechamento de 32 mil salas de ensino fundamental e 18 mil salas de ensino médio, caso haja redução expressiva de mão de obra migrante. Em áreas rurais, serviços de atenção básica perderiam reforço de trabalhadores.

Elementos que já ajudam a preencher lacunas

Migrant workers já atuam em setores com pouca atração de trabalhadores locais. Na agricultura, operários migrantes têm ocupado cargos que, de outra forma, ficariam vagos em regiões como Huelva, Almería e Catalunha interior.

Analistas apontam que a participação de trabalhadores migrantes tende a sustentar parte dos ganhos salariais médios, entre 15% e 25% do aumento anual, sem reduzir salários ou oportunidades de emprego dos nativos. O estudo, no entanto, sustenta que o tema é complexo e programático.

A política de regularização de 2018, que deverá ser revogada em junho, concedeu residência a cerca de 240 mil venezuelanos. O acordo entre o Partido Socialista e o Podemos, na época, facilitou um regime de regularização ampliado defendido por grupos rurais.

Cuidados de saúde e envelhecimento da população

Com menos trabalhadores migrantes, a oferta de cuidados tende a encolher. OONPE estimou uma queda de 28% na disponibilidade de cuidadores, enquanto a demanda por assistência de idosos cresce quase 60%.

Madrid, por exemplo, já depende de migrantes para 90% dos cuidadores em áreas urbanas. A demanda futura exigiria cerca de 483.600 trabalhadores adicionais no setor de cuidado, segundo pesquisas citadas pelo estudo.

No setor médico, a redução da força de trabalho poderia fechar 64 mil vagas entre médicos especialistas, agravando listas de espera e pressionando as condições de trabalho em um sistema já sob tensão.

A questão das pensões também aparece como desafio relevante. Até 2075, a manutenção dos benefícios exigiria contribuição adicional de cerca de € 2 mil por beneficiário, ainda que, entre 2050 e 2060, as contas públicas apresentariam um alívio temporário com o envelhecimento da geração baby boomer. A partir desse marco, o aporte fiscal tenderia a diminuir.

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