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Liberação do FGTS não resolve dívidas e pode estimular consumo, dizem especialistas

Liberação de 17 bilhões do FGTS para até 10 milhões pode estimular consumo imediato e fragilizar a proteção do fundo

Em ano eleitoral, medida pode ser interpretada como estratégia com impacto político
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  • Governo avalia liberar R$ 17 bilhões do FGTS para pelo menos 10 milhões de trabalhadores, para quitar ou renegociar dívidas.
  • Uma das medidas prevê a liberação de cerca de R$ 7 bilhões retidos no saque-aniversário para trabalhadores demitidos sem justa causa entre 2020 e 2025.
  • A outra ação libera entre R$ 9 bilhões e R$ 10 bilhões do FGTS para endividados quitarem débitos de cartão de crédito.
  • Especialistas ouvidos pelo Portal apontam risco de uso quase exclusivo para consumo, especialmente entre famílias de baixa renda, e questionam a eficácia de curto prazo.
  • Em ano eleitoral, a medida é vista por alguns como estímulo à economia com efeito político, sem mudanças estruturais na renda das famílias.

O governo federal avalia liberar cerca de 17 bilhões de reais do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para ao menos 10 milhões de trabalhadores. A medida pretende ajudar a quitar ou renegociar dívidas, segundo apuração do portal RECORD.

Especialistas ressaltam o risco de os recursos seguirem para consumo imediato, principalmente se não houver mecanismos de controle. Eles destacam que a liberação direta pode estimular gastos em famílias de baixa renda.

Para o economista Ives Alexandre Nunes, a liberação sem vinculação a dívidas aumenta a probabilidade de uso para consumo. Ele alerta que isso pode ampliar o endividamento futuro sem educação financeira ou juros estáveis.

O pesquisador avalia ainda que o impacto seria restrito e de caráter microeconômico, além de fragilizar o papel de proteção do FGTS em desemprego ou aposentadoria. A crítica é que ampliar saques reduz a rede de proteção.

Medidas provisórias em estudo

Segundo fontes, o governo planeja duas medidas provisórias para liberar os recursos. A primeira envolve cerca de 7 bilhões de reais retidos no saque-aniversário para trabalhadores demitidos sem justa causa entre 2020 e 2025.

A segunda ação visa liberar entre 9 e 10 bilhões de reais para trabalhadores endividados quitarem débitos de cartão de crédito. A soma totaliza os 17 bilhões anunciados.

Renan Silva, professor de economia, afirma que o efeito tende a ser temporário. Ele aponta que a medida pode impulsionar varejo e serviços, mas não altera a trajetória do PIB de forma estrutural.

O pesquisador também comenta que o endividamento das famílias está ligado a juros altos. Nesse cenário, o FGTS funcionaria mais como uma solução pontual do que como mudança estrutural na renda.

Contexto político e social

Ives observa que, em ano eleitoral, a liberação pode ser interpretada como estímulo econômico com potencial efeito político. A medida tem potencial de melhorar a percepção de bem-estar no curto prazo.

Renan concorda, sugerindo que o timing próximo a eleições pode favorecer ações de consumo imediato, ainda que haja argumentos sociais. Ambos ressaltam que não há garantias de impactos duradouros sobre a economia.

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