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Escala 4×3: como empresas adotaram horário de trabalho mais rígido

Cafeteria Coffee Lab registra aumento de faturamento e lucro com semana de quatro dias; piloto mostra que o modelo não funciona de forma uniforme

Cafeteria em São Paulo que adotou escala aponta aumento do faturamento e diz que funcionários estão mais descansados; empresas que não mantiveram modelo alegam queda na produtividade e falta de comprometimento das equipes
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  • Coffee Lab, cafeteria de São Paulo, adotou a semana de quatro dias (4×3) em julho do ano passado; o faturamento cresceu cerca de 35% e o lucro líquido subiu, com funcionamento diário das duas unidades e rodízio de entrada/saída.
  • Ao todo, 17 das 21 empresas do piloto entre 2023 e 2024 foram consultadas; sete continuam com o modelo, com ajustes, sete não retornaram e pelo menos quatro desistiram.
  • Entre as que saíram do formato, está a Smart Duo, que teve sobrecarga ao tentar folgas em sextas ou turnos reduzidos; hoje atua 100% de forma remota. Outras organizações também desistiram ou desistiram de manter a prática após dificuldades.
  • Outras experiências destacadas: Hospital Indianópolis desistiu do projeto na fase de planejamento; a startup Marfin interrompeu a semana de quatro dias após identificar queda de atendimento e produtividade; e a Greco Design manteve a sexta-feira como folga, operando com 25 funcionários presenciais e sem redução salarial.
  • Especialistas ressaltam que o sucesso depende de redução de reuniões improdutivas, melhoria de fluxos, processos eficientes e gestão orientada a entregas; custos podem incluir treinamento, tecnologia e ajustes de gestão, além de impactos cognitivos na equipe.

A semana de quatro dias, ou escala 4×3, tem ganhado atenções no Brasil à medida que empresas testam a redução da jornada de trabalho. Em São Paulo, a Coffee Lab adotou a medida há cerca de oito meses e manteve as duas unidades abertas todos os dias, com folga de três dias por semana.

A proprietária Isabela Raposeiras afirma que o faturamento cresceu cerca de 35% nos primeiros seis meses, e o lucro líquido subiu para 22%. O rodízio dos horários foi reorganizado, mantendo as lojas em funcionamento diário, mas com jornadas mais concentradas.

Entre as empresas que participaram do piloto, outras tiveram resultados distintos. Ao todo, 21 empresas foram acompanhadas entre 2023 e 2024; sete continuam o modelo com ajustes, sete não respondem e quatro desistiram. Em alguns casos, a adoção gerou queda de produtividade e desgaste.

Resultados e mudanças

No Coffee Lab, a mudança ocorreu em julho do ano passado. A carga semanal foi reduzida de 44 para 40 horas, com jornadas de até 10 horas. A equipe passa a iniciar uma hora antes da abertura e encerrar uma hora depois, mantendo fluxo de atendimento.

A Greco Design mantém a semana de quatro dias com foco em concentração e comunicação assíncrona. A sexta-feira é o dia livre, sem redução de salários. A empresa afirma que a mudança ajudou na retenção de talentos, porém demanda ajustes diários para evitar desperdícios de tempo.

Na prática, algumas organizações optaram por modelos alternativos, como alternar semanas de quatro e cinco dias ou reduzir horas sem reduzir dias. O objetivo é manter a produtividade sem sobrecarregar equipes. Estudos apontam que menos reuniões improdutivas e processos mais claros ajudam na implementação.

Além disso, especialistas destacam custos de transição: treinamento, monitoramento de clima e tecnologia para manter a produção com menos horas. A automatização e a gestão voltada a entregas são citadas como cruciais para o sucesso do modelo.

Atenção especial é dada à adaptação cultural dentro das equipes. Pesquisadores ressaltam que o formato não é universal e deve considerar a rotina de cada empresa, o nível de atendimento ao público e a clareza de processos.

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