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Prévias, startup que regularizou o bolão, ganha reconhecimento

Prévias regulariza bolão como investimento coletivo sob CVM, mira expansão com banco digital e parcerias, apesar de operação ainda modesta

Prévias, a startup que “regularizou o bolão”
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  • A Prévias, startup de prediction markets, regularizou o bolão ao enquadrar o produto como investimento coletivo, comprando a empresa InvestWeb, autorizada pela CVM para crowdfunding.
  • A plataforma passou a funcionar como pool de investimento coletivo, com todos os participantes contribuindo para um “pote” comum e redistribuição entre vencedores, descontadas as taxas.
  • A startup tem 1.500 usuários e movimentou R$ 35 mil desde o início, há dois meses, com apostas repetidamente voltadas a política e eventos atípicos como campeonatos de fisiculturismo.
  • Farache afirma que o modelo permite oferta ao varejo e manter operação dentro da regulação da CVM, com planos de escalabilidade via parcerias com instituições financeiras e influenciadores.
  • Há discussões de parcerias, incluindo integração com aplicativo de um grande banco digital, ampliando o acesso; o modelo é comparado a iniciativas da XP com Kalshi, mas com operações feitas em real no Brasil.

A Prévias, startup brasileira de prediction markets, antecipa uma prática parecida com bolões, mas dentro da regulação. A empresa foi criada por Arthur Farache e Leonardo Rebitte, sócios da Hurst Capital, plataforma de investimentos alternativos.

A ideia começou quando Rebitte propôs abrir uma empresa de prediction markets. Farache pediu clareza jurídica para avançar, o que levou à busca por um caminho regulatório viável no Brasil.

A solução foi enquadrar o produto como investimento coletivo. A Prévias adquiriu a InvestWeb, autorizada pela CVM a operar como crowdfunding, mas então inativa, para estruturar um pool de investimento coletivo.

Assim, a plataforma passou a funcionar como um coletivo de apostas com redistribuição do capital entre vencedores, descontadas as taxas, mantendo o funcionamento sob a regulação da CVM e abrindo o varejo.

Na prática, a proposta evita a classificação de bet típica e amplia o acesso, permitindo que mais pessoas participem. A empresa afirma ter resolvido dois entraves ao mesmo tempo.

O modelo já atraiu usuários: cerca de 1.500 cadastrados e movimento estimado de R$ 35 mil desde o lançamento, há dois meses. A maior parte das apostas envolve política, com cenários como a reeleição do Presidente Lula.

Além disso, apostas menos convencionais aparecem, como previsões sobre campeonatos de fisiculturismo, refletindo a diversidade de temas na plataforma.

Farache aponta para o crescimento rápido, citando parcerias com instituições financeiras e influenciadores. A ideia é que os influenciadores criem bolões próprios, com uma fatia fixa de cerca de 6%.

A empresa estaria próxima de integrar a plataforma a um aplicativo de um grande banco digital e negocia com outra instituição, prometendo acesso a milhões de usuários.

É semelhante ao modelo adotado pela XP com Kalshi, contudo, segundo Farache, tudo é feito em reais e dentro do mercado de capitais. Não há operação offshore.

Paralelamente, o BTG Pactual lançou o BTG Trends, plataforma de contratos derivativos voltada a investidores com perfil mais arrojado. O movimento intensifica o cenário de plataformas de previsão no Brasil.

O enfoque regulatório enfrenta críticas. O IBJR sustenta que prever mercados pode gerar concorrência desleal, fragilização do consumidor e impactos fiscais, especialmente se operar fora do regime de apostas.

Especialistas apontam que a visão internacional trata tais produtos como apostas em muitos países, o que diverge do raciocínio apresentado pelas empresas de prediction markets.

Para Farache, a diferença central é que as plataformas respeito ao investidor, atuando apenas como infraestrutura de mercado. Segundo ele, o Brasil mostra uma prática com potencial de investimento, não de cassino.

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