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Como o crime organizado eleva o custo de vida

Crime organizado custa 4,2% do PIB, acima de R$ 450 bilhões, elevando custos das empresas e freando criação de empregos

Nas grandes metrópoles, onde se concentra a infraestrutura financeira, logística e produtiva, os efeitos sobre o setor privado são particularmente severos
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  • O crime organizado custa ao Brasil quatro vírgula dois por cento do PIB ao setor privado, equivalente a mais de R$ 450 bilhões por ano.
  • No Rio de Janeiro, a Avenida Brasil ilustra o impacto: empresas históricassomem e o território passa a ser controlado por organizações criminosas.
  • Gasto direto com segurança no Brasil chega a quase R$ 60 bilhões por ano; custos indiretos somam cerca de R$ 200 bilhões, afetando toda a cadeia produtiva.
  • A indústria estima que uma em três empresas latino-americanas enfrenta ao menos um incidente criminal por ano, com cerca de 2,7% da receita bruta comprometida pela segurança.
  • A Confederação Nacional da Indústria mapeou 16 setores e aponta que a infiltração criminosa impediu a criação de 370 mil empregos formais em 2022 e retirou R$ 500 bilhões da economia; o FMI indica que reduzir homicídios pode elevar o crescimento regional.

O crime organizado impõe ao país um custo anual equivalente a 4,2% do PIB, apenas nos impactos sobre o setor privado, o que representa mais de R$ 450 bilhões. O número mostra-se central para entender o efeito macroeconômico da violência sobre a produção e os empregos.

No Rio de Janeiro, a situação é mais visível, especialmente na Avenida Brasil, que concentra vias estratégicas e é marcada pela deterioração do ambiente produtivo. Empresas históricas vêm desaparecendo em um território cada vez mais controlado por organizações criminosas.

As respostas do Estado, segundo observadores, seguem um roteiro já conhecido: reforços pontuais de policiamento e operações de alto impacto midiático, mas com resultados estruturais limitados. O modelo atual não impede o avanço dos crimes de rua, como roubos e furtos de celulares.

Custo nacional e regional

A América Latina e o Caribe apresentam custo médio de 3,44% do PIB regional, conforme estimativas do BID em 2024. O valor equivale a 78% do orçamento público destinado à educação na região. Dados globais do UNODC apontam que redes criminosas transnacionais movem cerca de 1,5% do PIB mundial anualmente.

A conta não soma apenas prejuízos diretos. O crime organizado influencia a configuração de toda a economia, aumentando custos de segurança e reduzindo a confiabilidade de investimentos, segundo especialistas.

Impacto no setor produtivo

A criminalidade tornou-se custo estrutural para o setor privado, que investe em segurança adicional, como vigilância, proteção de cargas e controle logístico. A Federação do Comércio de SP aponta gastos diretos com segurança no Brasil próximos de R$ 60 bilhões/ano, mais cerca de R$ 200 bilhões em custos indiretos.

A infiltração criminosa, segundo a CNI, atua em 16 setores da economia formal, incluindo combustíveis, bebidas, tabaco, construção e mineração. Empresas passam a competir com vantagem artificial, pois o dinheiro sujo funciona como combustível para a operação, não apenas para lucro.

A CNI estima que a infiltração tenha impedido a criação de 370 mil empregos formais em 2022 e retirado R$ 500 bilhões da economia produtiva, recursos que poderiam ter gerado renda, impostos e inovação.

Caminhos e respostas

O FMI sugere que reduzir homicídios para a média global pode elevar o crescimento da América Latina em até 0,5 ponto percentual, chegando a 1 ponto em casos mais violentos. Isso evidencia que o combate ao crime organizado exige ações que vão além da segurança pública.

O papel do setor privado é destacado como parte da solução, incluindo rastreabilidade de cadeias, regulação mais rígida em setores infiltrados e práticas anticorrente, mesmo fora do âmbito financeiro tradicional. O Movimento Unidos pelo Combustível Legal aponta para resultados com ações regulatórias.

O efeito invisível

Em resumo, o crime organizado funciona como um imposto invisível: não aparece em notas fiscais, mas encarece produtos, freia investimentos e afeta o talento humano. O BID estima que a região gaste com crime o equivalente a 78% de todo o orçamento de educação, sinalizando a urgência de respostas coordenadas e verificáveis.

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