- O FMI alerta que a guerra no Oriente Médio aumenta os riscos à estabilidade financeira global por pressões inflacionárias.
- No Relatório Semestral, desde fevereiro as ações globais caíram oito por cento e os rendimentos de títulos soberanos subiram, com alta nos custos da energia e na inflação esperada.
- O conflito levou o Irã a fechar o Estreito de Ormuz, o que fez os preços do petróleo dispararem e elevou a volatilidade nos títulos, ajudada pelo aumento da dívida sobre o PIB e pela emissão de títulos de curto prazo.
- Riscos incluem aperto das condições financeiras, possível venda forçada de ativos por instituições não bancárias e alavancadas, e forte exposição de fundos de hedge a derivativos, totalizando mais de US$ 18 trilhões.
- O FMI recomenda preparar mecanismos de liquidez, manter a política monetária voltada à estabilidade de preços e adotar disciplina fiscal para colocar a dívida pública em trajetória sustentável, com atenção à possível desaceleração de investimentos em inteligência artificial.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que a guerra no Oriente Médio eleva riscos à estabilidade financeira global. Segundo o Relatório Semestral sobre Estabilidade Financeira, pressões inflacionárias já impactam mercados por meio de crédito e preços de ativos.
Desde fevereiro, ações globais recuaram cerca de 8%, enquanto rendimentos de títulos soberanos subiram. o FMI aponta que salto nos custos da energia e maiores expectativas de inflação alimentam esse movimento nos mercados.
O conflito levou o Irã a fechar o Estreito de Ormuz, impulsionando a alta do petróleo. A volatilidade nos mercados de dívida também ganhou força, com dívidas em relação ao PIB aumentando e emissão de títulos de curto prazo crescendo.
Esses elementos elevam a probabilidade de aperto financeiro global e turbulências nos mercados. O FMI afirma que ainda houve correção ordenada, mas os riscos são assimétricos e podem se ampliar com a continuidade do conflito.
Perdas em títulos soberanos podem fragilizar balanços de bancos e reduzir a margem de atuação de governos em dificuldades. O cenário também pode pressionar instituições não bancárias e investidores de alta alavancagem.
Caso o aperto se agrave, pode ocorrer venda forçada de ativos por fundos de hedge, operadores de derivativos e ETFs alavancados, aumentando as perdas em todo o sistema financeiro.
A exposição de hedge funds a derivativos de taxas e títulos soberanos chegou a mais de US$ 18 trilhões até 2025, segundo o FMI, o que amplifica vulnerabilidades sob choque de confiança.
“As vulnerabilidades só são acionadas quando há um choque. A guerra no Oriente Médio é esse choque”, afirmou Tobias Adrian, da direção do FMI, em entrevista. A frase resume o cenário descrito.
No capítulo de crédito privado, o FMI mantém cautela: o mercado de US$ 3,5 trilhões pode enfrentar calotes maiores, especialmente em setores expostos à IA. Resgates de fundos de crédito privado já se intensificaram.
Entre companhias de crédito privado, agentes como Blue Owl, Ares, Apollo, Blackstone e KKR restringiram saques, aumentando a volatilidade entre investidores e gestores. O FMI aponta risco de deterioração da qualidade de crédito.
Embora a turbulência ainda pareça contida, o FMI destaca potencial impacto sistêmico limitado, com atenção especial aos fluxos de liquidez e financiamento. Investidores aceleraram respostas diante da ampliação de riscos.
Para o âmbito da IA, o FMI alerta que um conflito prolongado pode frear investimentos no setor, que tem sido motor de crescimento tecnológico. O efeito, porém, dependerá da duração do conflito.
No front fiscal, o FMI recomenda política mais restritiva para colocar a dívida pública em trajetória sustentável. Novo esforço deve direcionar gastos a grupos mais vulneráveis ao choque inflacionário.
Autoridades devem manter mecanismos de liquidez preparados e monitorar de perto se a inflação se materializa em expectativas, mantendo foco na estabilidade de preços.
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