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Governo Lula envia ao Congresso projeto para acabar com escala 6×1 com urgência

Governo envia ao Congresso projeto com urgência para terminar a escala 6x1; estudos apontam impacto econômico, com queda do PIB e maior informalidade no curto prazo

Lula aposta no fim da escala 6"1 como parte de “pacote de bondades” com foco na reeleição (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
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  • O governo enviou ao Congresso um projeto de lei para acabar com a escala 6×1, com tramitação em urgência constitucional e prazo de quarenta e cinco dias para análise pelas duas casas.
  • A proposta prevê jornada semanal de quarenta horas, admite escalas como 12h×36 por acordo coletivo, mantém a proibição de redução salarial e alcança diversas categorias sob a CLT.
  • O texto busca ajuste flexível por atividade, prevendo negociação por categorias em casos específicos, sem tornar a nova escala rígida.
  • Economistas e empresas argumentam que a redução da jornada pode elevar o custo do trabalho, provocar queda do PIB no curto prazo e aumentar desemprego e informalidade.
  • Apesar dos alertas, há apoio popular ao fim da escala 6×1; o Planalto defende que a medida moderniza relações de trabalho via negociação, e a Câmara impõe urgência.

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso, nesta terça-feira (14), a mensagem que formaliza o envio do projeto de lei para acabar com a escala 6×1 no país. A tramitação ocorrerá em urgência constitucional, com prazo de 45 dias para Câmara e Senado analisarem o texto. Caso não haja votação, a pauta das duas casas pode ser bloqueada.

O objetivo é extinguir a jornada 6×1 e reduzir a semana de trabalho para 40 horas, mantendo a possibilidade de acordos específicos. O projeto prevê salário protegido, vedando qualquer redução salarial ao adotarem a nova escala, e abrange categorias sob a CLT e leis especiais, como domésticos, comerciários, atletas e aeronautas.

O governo afirma que a nova escala não será rígida e poderá ser ajustada conforme a atividade. Casos específicos devem ser objeto de negociação entre trabalhadores e empregadores, com flexibilidade esperada de setores distintos.

Estrutura e impactos econômicos

O texto aponta seis pilares, incluindo a adoção de uma escala de até 40 horas semanais, com reposição de 12h45 por 36 horas, respeitando a média semanal, e com abrangência geral para escalas especiais. O objetivo é manter a média de 40 horas por semana.

Conceitos econômicos levantados indicam que a redução da jornada sem ajuste salarial resulta em custos adicionais de trabalho. Pesquisas sugerem impactos que podem incluir inflação, desemprego e maior informalidade, caso haja descompasso entre salário e horas trabalhadas.

Especialistas ouvidos pelo jornal destacam a necessidade de transição gradual e de incentivos à modernização tecnológica para evitar elevação de custos e demissões. A viabilidade depende de mecanismos de apoio às empresas, como desonerações ou investimentos em produtividade.

Contexto político e agenda pública

No início da semana, o presidente da Câmara, Hugo Motta, havia indicado que o tema estaria em discussão por meio de propostas constitucionais, alimentando ruídos políticos. O planalto, porém, optou por enviar o projeto próprio com urgência, afirmando que a tramitação pelas PECs poderia atrasar a pauta.

A população mostra forte apoio ao fim da escala 6×1, ainda que haja cautela entre economistas. Pesquisas indicam maior aceitação entre o público do que entre parte do setor produtivo, que aponta riscos de custos e impactos na empregabilidade.

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