- O custo de aquecer casa com bombas de calor tem aumentado, pois a eletricidade fica cara em comparação ao gás; Gavin Tait, de Glasgow, voltou a usar o boiler a gás.
- Pesquisa com mil proprietários de bombas de calor mostrou que dois terços consideram a calefação mais cara do que antes.
- Críticos dizem que o foco do governo em geração de energia limpa eleva tarifas e dificulta a troca por aquecedores elétricos e veículos elétricos.
- Mesmo com geração de energia renovável barata, o sistema exigido—rede maior, backup e mecanismos de equilíbrio—faz com que os custos de energia subam, e o preço costuma ser definido pelo gás.
- O debate político envolve nets zero e custo para o consumidor: há propostas de priorizar a redução de preços para acelerar a descarbonização.
O debate sobre o custo da transição energética ganhou nova urgência no Reino Unido, com relatos de famílias que enfrentam contas de luz mais altas e temores sobre a viabilidade de aquecer as casas com bombas de calor. O centro da discussão é se reduzir emissões deve, primeiro, baixar o preço da energia ou acelerar a descarbonização de aquecimento e transporte.
Gavin Tait, de 69 anos, morador de Glasgow, investiu em painéis solares, bateria doméstica e bomba de calor. Inicialmente houve queda nas contas, mas nos últimos invernos o gasto subiu. Este ano ele desativou a bomba de calor e voltou ao gás como backup, por ser economicamente mais viável.
A experiência dele ganhou destaque em pesquisas que mostram custos crescentes para quem adotou bombas de calor. Um levantamento com 1.000 proprietários, encomendado pela Ecotricity, aponta que dois terços consideram a casa mais cara para aquecer após a instalação.
Críticos da política pública argumentam que o foco do governo em gerar energia limpa, especialmente a partir de fontes elétricas, pode ter deixado de lado o custo do sistema de energia como um todo. O argumento é que a eletricidade precisa estar disponível o tempo todo, o que requer capacidade adicional, redes mais robustas e custos de equilíbrio.
O custo de transmissão e o reforço da rede elétrica são citados como fatores que elevam as tarifas. Além disso, há pagamentos para desligar usinas eólica quando a rede não absorve toda a energia gerada, elevando despesas para consumidores. A dependência de gás, mesmo com alta participação de renováveis, continua a influenciar as tarifas.
A política de net zero permanece no centro do debate público. Pesquisas de opinião indicam apoio à descarbonização, mas a prioridade dada ao custo de vida preocupa muitos eleitores. Economistas defendem que reduzir preços pode acelerar a adoção de tecnologias elétricas e reduzir emissões, em vez de apenas focar nos alvos de descarbonização.
Alguns especialistas apontam para a necessidade de avaliar políticas pelo impacto no custo final para o consumidor. O professor Dieter Helm, da Universidade de Oxford, destaca que o custo do sistema energético vai além da geração de eletricidade e envolve demandas de pico, capacidade de reserva e infraestrutura de transmissão.
A discussão também aborda a diferença entre reduzir a pegada ambiental e tornar produtos e serviços mais caros por meio da transição. Pesquisas indicam que, sem reduzir os custos, a aceitação pública da transição pode diminuir, impactando o ritmo de adoção de aquecedores elétricos e veículos elétricos.
A pobreza energética, a volatilidade dos preços do gás e o risco de choques de energia no cenário internacional, agravado por tensões no Oriente Médio, elevam a pressão sobre governos para apresentar soluções que conciliem preço justo, segurança energética e metas climáticas.
Enquanto a indústria e especialistas divergem sobre a melhor rota, a mensagem comum é a necessidade de decisões transparentes sobre custos e benefícios da transição. A resposta para o desafio pode exigir equilíbrio entre reduzir emissões e manter tarifas acessíveis aos consumidores.
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