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Brasil supera Ucrânia e Cuba em índice global de miséria

Brasil ocupa a 19ª posição no índice de miséria, com desemprego alto e juros elevados que elevam custo de crédito para cidadãos

Favela no Rio de Janeiro, Brasil — Foto: Eflon/Wikimedia Commons
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  • O Brasil ocupa a 19ª posição no Índice Hanke Anual de Miséria 2025, com índice de miséria de 59,6366, dominado pela taxa de empréstimos elevada.
  • No ranking, a Venezuela lidera, e Taiwan aparece em último; Ucrânia fica em posição intermediária (21ª).
  • O estudo aponta o desemprego alto e, principalmente, os custos de empréstimos como principais fatores que elevam a miséria no Brasil.
  • A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirmou que as taxas de juros estão altas e precisam ser reduzidas, mas disse que isso não depende apenas dos bancos; o tema tem causas estruturais.
  • O Índice de Miséria foi idealizado por Arthur Okun nos anos 1970; o Brasil já havia ficado em 27º em 2022, 22º em 2023 e 26º em 2024.

O Brasil ocupa a 19ª posição no Índice Hanke Anual de Miséria (HAMI) 2025, que mede o impacto da inflação, do desemprego e dos juros na qualidade de vida. No ranking, o Brasil fica à frente de Ucrânia e Cuba, considerados mais miseráveis.

Segundo o indicador, o principal fator que eleva a miséria brasileira são as taxas de empréstimos, que pesam na pontuação. O estudo aponta emprego estável e custo de crédito como variáveis centrais para o ranking.

O top do ranking é liderado pela Venezuela, enquanto Taiwan figura na última posição entre os 178 países avaliados. O estudo ressalta que inflação e juros elevados costumam andar juntos nos países com maior desconforto econômico.

O que explica o desempenho do Brasil

Entre os 20 países mais miseráveis em 2024, 17 permaneceram entre os 20 primeiros em 2025, indica o pesquisador. Botsuana, Bósnia e Herzegovina entraram no top 20, puxadas pelo desemprego e pelo custo do crédito, segundo Steve Hanke.

A Febraban afirma que as taxas de juros estão altas e precisam ser reduzidas no país. A entidade destaca que o problema tem causas estruturais, não dependentes de ações pontuais dos bancos, e envolve custo de crédito a tomadores.

O Banco Central não se manifestou até o fechamento deste texto. O espaço permanece aberto para possíveis esclarecimentos oficiais sobre a metodologia e as ações que podem impactar o cenário de crédito.

Metodologia e histórico

O índice foi criado por Arthur Okun, nos EUA, na década de 1970. A edição mais recente, revisada em 2022 por Hanke, mantém o foco em inflação, desemprego e encargos de empréstimos para compor o índice de miséria.

Entre 2022 e 2024, o Brasil ficou em 27º, 22º e 26º, respectivamente, no ranking. Países com crises inflacionárias agudas ocuparam as posições de liderança nesses anos, como Zimbabwe, Argentina e Sudão.

Ranking do índice de miséria em 2025 (trecho)

  • Venezuela, 556,49, inflação.
  • Sudão, 225,37, inflação.
  • Peru, 100,96, taxa de empréstimo.
  • Irã, 95,88, inflação.
  • Argentina, 88,35, inflação.
  • Eswatini, 80,04, desemprego.
  • África do Sul, 79,03, desemprego.
  • Malawi, 75,15, inflação.
  • Madagáscar, 73,96, taxa de empréstimo.
  • Líbano, 72,44, desemprego.
  • Haiti, 72,36, inflação.
  • Angola, 72,33, taxa de empréstimo.
  • Iémen, 70,95, taxa de empréstimo.
  • Myanmar, 65,89, inflação.
  • Zimbábue, 64,72, taxa de empréstimo.
  • Djibuti, 60,60, desemprego.
  • Botsuana, 60,09, desemprego.
  • Bósnia e Herzegovina, 59,68, desemprego.
  • Brasil, 59,64, taxa de empréstimo.
  • Cuba, 37,44, inflação.

Os dados completos aparecem no relatório de 2025, com a lista até 178 países. As informações são base de estudo de Hanke, com citações de especialistas ou entidades financeiras nacionais.

Fonte: edição 2025 do índice de miséria HAMI e declarações da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

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