- Richard Skellett criou o “Digital Richard”, um modelo de linguagem que digere reuniões, documentos e apresentações para orientar decisões de gestão na Bloor Research.
- O projeto evoluiu para criar digitais para a equipe de cinquenta profissionais da empresa, incluindo usos como aposentadoria gradual e substituição temporária durante licenças.
- O conceito ganhou o nome “Digital Me” e já é oferecido a quem ingressa na Bloor Research; cerca de vinte outras empresas já testam a tecnologia, com lançamento amplo previsto ainda neste ano.
- Questões de governança, propriedade e remuneração aparecem: quem detém o twin, quem recebe pelos resultados e como ficam acessos e responsabilizações legais.
- Analistas veem ganhos de produtividade e o conceito de “superworker”, embora haja ceticismo sobre impactos legais e contratuais e como ficará a relação entre empregado e IA.
Digital Twin: a ascensão de “superworkers” traz oportunidades e dúvidas legais
A ideia de um gêmeo digital ganhou status na prática de negócios com Richard Skellett, analista-chefe da Bloor Research. O projeto, iniciado há três anos, criou um modelo de linguagem que reproduz o comportamento de Skellett a partir de suas reuniões, documentos e apresentações. A ferramenta funciona como uma janela de texto consultável para decisões e apresentações.
A startup de Skellett refinou o modelo para seguir sua forma de pensar e resolver problemas. A interface, confinada a uma tela, ajuda a gerenciar tanto tarefas profissionais quanto áreas pessoais, com abas marcadas como família e admin, acessíveis apenas para uso pessoal. O objetivo é aumentar a eficiência do trabalho.
A experiência de Digital Richard serviu de base para a criação de gêmeos digitais para toda a equipe da Bloor Research, com 50 membros distribuídos entre Reino Unido, Europa, EUA e Índia. Em alguns casos, o recurso viabilizou a aposentadoria gradual de um analista e permitiu a substituição temporária de uma profissional de marketing em licença maternidade.
Expansão e implementação
Hoje, o conceito de Digital Me é disponibilizado a todos os novos colaboradores da Bloor Research. Maior parte da equipe já utiliza o recurso, segundo relatos internos, com previsão de ampliação para mais empresas ainda neste ano. A ideia é que o uso do gêmeo digital se torne parte do funcionamento cotidiano, não apenas um complemento.
Mais de 20 empresas já testaram a tecnologia, que deverá ficar amplamente acessível em breve. A visão de Skellett é de que a adoção efetiva depende de governança, garantia de tempo livre adequado, autonomia dos agentes digitais e preservação da identidade do trabalhador, mesmo que o empregador obtenha benefícios com o uso.
Questões legais e perspectivas de mercado
Especialistas em RH destacam a necessidade de diretrizes sobre propriedade e remuneração. A dúvida central envolve quem detém o gêmeo digital: empregado ou empresa, e como fica a remuneração pelo aumento de produtividade. No modelo da Bloor, o pagamento é baseado em resultados, não tempo de serviço.
O conceito de “superworker” foi popularizado por Josh Bersin, que criou um gêmeo digital para ele e para a equipe de sua consultoria. A percepção é de que a inteligência artificial amplifica a produtividade, reduzindo a necessidade de novas contratações. No entanto, há incertezas legais sobre contratos, propriedade intelectual e julgamento de eventuais falhas.
Especialistas jurídicos apontam necessidade de orientação normativa clara para evitar riscos ao empregador e ao empregado. A discussão envolve consentimento, controle de dados pessoais, substituição de mão de obra e consequências de deixarem a empresa. Tribunais devem moldar precedentes caso surjam disputas.
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