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Crise energética impulsiona perfuração no maior área úmida intacta das Filipinas

Crise energética reacende proposta de exploração de óleo e gás na Liguasan Marsh, maior área úmida intacta das Filipinas, gerando alerta ambiental

A Philippine duck (Anas luzonica) at Liguasan Marsh.
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  • Há uma nova ofensiva para explorar petróleo e gás na Liguasan Marsh, o maior alagado intacto das Filipinas, localizado no Mindanao, no sul, com cerca de 288 mil hectares.
  • Estimativas de exploração de 1990 apontaram potencial de pelo menos 202 milhões de barris de petróleo recuperáveis e 6 bilhões de pés cúbicos de gás natural no manguezal.
  • O avanço esbarra em conflitos passados entre o governo e o Moro Islamic Liberation Front e envolve a região Bangsamoro Autônoma em Mindanao (BARMM), que abriga parte da área.
  • Em 2022, a Department of Energy em Manila concedeu contrato de exploração à SK Liguasan Oil and Gas Corporation; a empresa precisa de autorizações da BARMM para atuar na parte do manguezal que fica na região.
  • Organizações ambientais, como Wetlands International e Greenpeace, destacam riscos ambientais e pedem investimento em renováveis para evitar danos a ecossistemas, carbonização e impactos climáticos.

O debate sobre exploração de petróleo e gás volta a ganhar peso na Liguasan Marsh, justamente no momento em que a crise energética global aumenta a pressão por fontes fósseis no sul das Filipinas. Parte da reserva está no território da região Bangsamoro, em Mindanao, onde o equilíbrio entre conservação e abastecimento energético volta a ser tema de governo e sociedade.

A Liguasan Marsh ocupa cerca de 288 mil hectares e é considerada a maior zona úmida intacta do país. Reconhecida como área importante para aves e biodiversidade, abriga o crocodilo-asiático de rastro curto e espécies de jacana, além de possuir reservas não exploradas de petróleo e gás.

Entre 1990 e 1990s, estudos conjuntos da PNOC e Petronas indicaram possíveis volumes de petróleo recuperável e gás natural dentro da área. Contudo, conflitos entre forças governamentais e o MILF frearam o andamento dessas operações por décadas.

Com o acordo de paz de 2014 e a criação do BARMM, o debate sobre explorar os recursos da região ganhou fôlego novamente. Em 2019, a formalização da região estimulou novas conversas sobre possível aproveitamento energético.

Mohajirin Ali, à frente da BARMM, afirmou que as jazidas de óleo e gás podem representar um divisor de águas para investimentos, empregos e receitas para o governo regional, caso haja início de exploração na área.

A retomada das discussões é acompanhada por planos de atração de investidores, em meio a um contexto de crise de energia global e interrupções no abastecimento provocadas por tensões no Oriente Médio. O BARMM vê a exploração como solução de longo prazo para evitar impactos futuros.

Organizações ambientais não veem com bons olhos a retomada do tema. Wetlands International ressalta a importância da reserva para comunidades, fauna e resiliência climática, pedindo investimento em energia renovável. Greenpeace defende que a exploração aumentaria a dependência de combustíveis fósseis e causaria danos ecológicos.

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