- A Argentina celebra, todo 17 de abril, o Dia Internacional do Malbec, que hoje responde por cerca de 75% da produção mundial.
- O Malbec, origem francesa (Cahors), chegou à Argentina e ganhou solo em Mendoza a partir de 1853, com a intervenção do agrônomo francês Michel Aimé Pouget.
- Nos anos noventa, enólogos e produtores visionários redescobriram a variedade, impulsionando o Malbec como símbolo do vinho argentino.
- Marcas e vinhedos de prestige surgiram, incluindo a Angélica Zapata, de Catena, em 1995, e vitórias internacionais como River Stones (2018) e Piedra Infinita (2019).
- A região de Mendoza, especialmente a Valle de Uco, com vinhedos entre 900 e 1.500 metros, consolidou o Malbec no cenário global, junto a projetos de referência como Cheval des Andes.
La Journée mondiale do Malbec celebra, há quinze anos, a relação inseparável entre esse vinho e a identidade argentina. Hoje, a produção do cepage é dominada pelo país, que responde por cerca de 75% do total mundial.
A trajetória do Malbec teve início na França, em Cahors, onde ficou conhecido como côt noir. A crise da filoxera quase extinguiu a variedade na França, mas o cultivo ganhou fôlego nas Américas. O Malbec chegou à Argentina no século XIX e se enraizou especialmente em Mendoza.
Origens e ascensão
Em 1853, Michel Aimé Pouget introduziu as primeiras plantas em Mendoza, no sopé dos Andes, a pedido de Domingo Faustino Sarmiento. A região de Luján de Cuyo, com solos aluvionares, contribuiu para consolidar a reputação do Malbec argentino, ainda em processo de descobertas.
Susana Balbo, referência do setor, ajudou a mapear a evolução do cepage a partir de sua vinícola em Agrelo. Ela recorda que, na década de 1980, muitos pés já eram velhos e a produção tinha outros rumos. Ainda assim, reconhece o potencial superior do Malbec diante de outras variedades.
Na década de 1990, especialistas como Michel Rolland, Paul Hobbs e Attilio Pagli ajudaram a redescobrir o vinho, impulsionando o Malbec como símbolo nacional. Segundo Balbo, consultores internacionais perceberam a qualidade, mas a produção ainda precisava de ajuste na colheita.
Expansão e reconhecimento internacional
Com a virada, o Malbec tornou-se o veículo principal para expressar terroirs argentinos, especialmente na região de Mendoza. Modelos de prestígio, como a Angélica Zapata (1995) e vinhos premiados como River Stones (2018) e Piedra Infinita (2019), alavancaram o reconhecimento mundial.
A área de Uco ganhou destaque, com vinhedos situados entre 900 e 1 500 metros de altitude. Diversas bodegas, incluindo projetos liderados por franceses, contribuíram para o desenvolvimento da viticultura de precisão. A presença de importadores e especialistas estrangeiros ampliou o público dos Malbecs argentinos.
Panorama atual
Hoje, o Malbec ocupa quase metade dos vinhedos tintos da Argentina, em cerca de 47 mil hectares. Além da expressão mais acessível, há blocos de produção premium que reforçam a imagem do país no cenário global. A diversificação de varietais persiste, mantendo o Malbec como carro-chefe sem excluir outras uvas.
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