- O aumento das passagens internacionais é causado por fatores geopolíticos e mudanças na tributação brasileira, não apenas pela cotação do dólar.
- O preço do querosene de aviação subiu após tensões no Oriente Médio, com a Petrobras repassando aumentos de mais de 50% neste mês.
- A Reforma Tributária prevê, em 2027, a cobrança da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) em voos internacionais, começando em 8,5% e chegando a 28% no final da transição.
- A partir de 2029, o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) substitui ICMS/ISS, formando um IVA duplo que será acrescido ao preço final da passagem; há desonerações previstas para abastecimento e catering.
- Mesmo com isenções em parte do setor, as companhias aéreas poderão compensar créditos de IBS e CBS, porém voos internacionais devem enfrentar alíquota cheia, enquanto aviação regional e doméstica terá regime com redução de 40% nessas alíquotas.
O aumento das passagens aéreas internacionais não é apenas uma oscilação, mas o resultado de fatores geopolíticos e de mudanças na tributação brasileira. O cenário aponta para continuidade de alta nos próximos meses e anos.
O principal motor imediato é o preço do querosene de aviação, cuja participação nos custos das companhias fica entre 30% e 45%. Com tensões no Oriente Médio, o barril sobe e a Petrobras repassa o custo aos tickets. O QAV já subiu mais de 50% neste mês.
A Azul, representada pelo CEO John Rodgerson, afirmou que o Brasil já tem o querosene de aviação mais caro do mundo, tornando o setor sensível a instabilidades globais. A alta ajuda a entender o ritmo de elevação das tarifas.
Reforma Tributária e impactos
Além da variação de combustível, o governo sinaliza mudanças na tributação. A CBS, que substituirá PIS/Cofins, entra em vigor em 1º de janeiro de 2027, com alíquotas de 8,5% até 28% na transição. Em 2029, o IBS entra para substituir ICMS/ISS.
Com a CBS e o IBS, surge o IVA dual, que incidirá diretamente no preço final da passagem. O Ministério da Fazenda aponta desonerações, como abastecimento e catering, além de crédito integral para as empresas.
Para voos internacionais, a cobrança é total na nova linha de imposto, ao passo que voos regionais ganharão regime mais brando, com redução de 40% nas alíquotas. O efeito líquido sobre o doméstico será menos intenso.
Perspectivas para o mercado
Os dados indicam que o encarecimento não é temporário, e sim estrutural. As companhias terão que inovar na operação e na entrega de valor para justificar tarifas mais altas. O planejamento financeiro do passageiro deixa de ser recomendação e passa a necessidade.
O impacto da reforma chegará aos aeroportos no check-in, conforme o cenário regulatório se consolida. O mercado e os consumidores devem se adaptar a custos mais elevados, com ajustes de oferta e estratégias de preço.
Fabrizio Gammino é co-CEO da Grownt.
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