- O ouro recupera o papel de ativo refugio, subindo quase 1,5% para aproximadamente 4.860 dólares a onça, com a queda do petróleo e a Bolsa em alta após a reabertura anunciada do estreito de Ormuz.
- O dólar recua ante a expectativa de distensão, chegando a 1,18 dólares por euro, o nível mais baixo desde antes da guerra.
- Em renda fixa, os bônus soberanos caem, com quedas de cerca de 0,1 ponto porcentual em títulos de longo prazo da zona euro e de Reino Unido, França, Alemanha e Espanha; o rendimento espanhol a 10 anos fica próximo de 3,4%.
- Os contratos futuros começam a precificar menor necessidade de aperto monetário para conter a inflação, com cortes de juros esperados nos Estados Unidos e revisão para baixo na zona do euro.
- O Banco Central Europeu pode manter a trajetória de aperto mais tarde neste ano, com previsão de taxa ao redor de 2,25%, diante de cenários de menor alta de juros.
O ouro recupera o papel de ativo de refúgio à medida que se intensificam sinais de normalização do custo de energia, influenciando também a rentabilidade da dívida soberana. A reabertura do estreito de Ormuz foi anunciada nesta tarde por Donald Trump e pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, com aplicação imediata e validade de 10 dias.
Como reflexo, o dólar apresenta queda após ter se fortalecido nos momentos de tensão. A divisa caiu para 1,18 dólar por euro, o menor nível desde a véspera da guerra. O recuo ocorre em meio a expectativa de distensão entre as partes envolvidas no conflito.
O ouro, tradicionalmente visto como ativo de proteção, avançou quase 1,5% e chegou a 4.860 dólares por onça, nível não visto desde meados de março. O metal acumulou perda durante o conflito, associada à maior correlação com as bolsas e à expansão de produtos de investimento em ouro.
Impacto nas bolsas e no petróleo
O recuo do petróleo e a recuperação das bolsas aparecem como efeitos iniciais da reabertura do estreito. A energia mais estável reduz pressões inflacionárias e altera o comportamento de ativos de risco, refletindo em menor apetite por proteção extrema no curto prazo.
Renda fixa e expectativas de juros
Na renda fixa, houve queda de rendimentos de títulos soberanos, com abaixo de 10 pontos base em longos prazos na Alemanha, Reino Unido, França e Espanha. O trecho espanhol a 10 anos fica próximo de 3,4%, ainda acima do nível pré-conflito em cerca de 30 pontos base.
Perspectivas de política monetária
Mercados futuros enxergam menor necessidade de aperto monetário para contornar a inflação, caso o petróleo permaneça estável. Previsões apontam cortes nos EUA e ajustes no BCE, com a taxa principal no bloco europeu recaindo para cerca de 2,0% no final do ano, ante 2,75% projetados anteriormente.
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