- Arroba do boi gordo atinge recorde histórico, US$ 73,58, com alta de 26,5% no ano, segundo Cepea.
- Exportações brasileiras de carne subiram 20,9% em relação a 2024, somando 3,5 milhões de toneladas; abates cresceram 19,2%.
- Demanda interna elevada e oferta restrita mantêm os preços em alta, com produtores retendo vacas para abate diante da exportação forte.
- IPCA de março mostrou alta de 1,73%; no primeiro trimestre, o aumento acumulado foi de 3,18%.
- Perspectivas apontam manutenção de preços elevados, influenciadas pela cota de exportação para a China de 1,1 milhão de toneladas e tarifa adicional de 55% para excedentes.
O preço da arroba do boi gordo atingiu recorde histórico, impactando o custo da carne para o consumidor. A cotação acumulou alta de 26,5% neste ano e chegou a US$ 73,58 na última quarta-feira, segundo o Cepea. O valor supera o recorde anterior de 73,53 dólares, registrado em abril de 2022.
A alta decorre do ciclo produtivo e da demanda externa. Produtores têm retido fêmeas para estimular bezerras, reduzindo a oferta de animais para abate e ampliando a pressão sobre o preço interno. Comércio externo aquecido também sustenta a valorização.
Exportações brasileiras seguem em ascensão. Em 2025, foram vendidas 3,5 milhões de toneladas de carne bovina ao exterior, alta de 20,9% frente a 2024, segundo a Abiec. O volume de abates também subiu, de 25,5 para 30,4 milhões de toneladas.
A demanda doméstica acompanha o ritmo, contribuindo para o repasse de preços ao consumidor. O IPCA de março apontou alta de 1,73% nos preços das carnes, com o acumulado do primeiro trimestre em 3,18%. Cortes como fígado, capa de filé e alcatra registraram aumentos expressivos.
Especialistas veem continuação da inflação das carnes nos próximos meses. Com demanda estável e oferta restrita, a trajetória permanece firme, com expectativa de acomodação apenas no segundo semestre. O cenário é influenciado ainda pela valorização do real frente ao dólar.
Exportações continuam elevadas no início de 2026. A Abiec informou que a venda externa atingiu 801,9 mil toneladas, crescimento de 18,4% ante o mesmo período de 2025. O câmbio mais favorável torna o boi brasileiro relativamente caro para importadores.
A produção exportadora tende a depender de fatores externos. A desvalorização de grandes compradores e o custo logístico influenciam o interesse por carnes brasileiras. Além disso, o conflito no Oriente Médio pode impactar custos de fertilizantes e fretes, afetando a oferta.
Limitação da China guia o rumo da oferta interna. A cota de exportação para Pequim, estimada em 1,1 milhão de toneladas, deve ser atingida ainda no primeiro semestre. Frigoríficos indicam possibilidades de férias coletivas em algumas unidades.
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