- Em 2024, Kirsty, moradora do norte de Yorkshire, conheceu um homem em site de encontros que fingia ser empresário britânico na Turquia e mostrou um suposto saldo de $600 mil em um site bancário falso.
- Depois de duas semanas, ele alegou ter sido assaltado e pediu que ela comprasse um telemóvel e pagasse contas, resultando na transferência de £80 mil em dois meses, com £50 mil emprestados pela família.
- O telemóvel acabou em Lagos, na Nigéria, e o dinheiro foi para pessoas com nomes nigerianos, romenos e de outras nacionalidades; o impostor era nigeriano, usando disfarce de voz.
- especialistas destacam o aumento de golpes desde a pandemia; as perdas globais com fraudes ultrapassam meio trilhão de dólares por ano, e golpes românticos subiram cerca de vinte por cento no primeiro trimestre entre 2024 e 2025; o Reino Unido perdeu £106 milhões em 2024.
- No Fórum Global de Fraudes, realizado em Viena, 44 países assinaram um acordo para enfrentar fraudes na origem e apoiar vítimas; ainda há desafios, com cooperação internacional fortemente enfatizada para combater redes criminosas.
Kirsty, uma mulher de aproximadamente 40 anos, moradora de North Yorkshire, caiu em um golpe amoroso em 2024. Ela conheceu um homem na internet que se apresentou como empresário inglês no exterior, com suposta renda estável e foto de praia com abdominal definido. Ele mostrou um site de bancos para convencer que tinha 600 mil dólares em economia.
Após duas semanas, o golpista alegou ter sido assaltado e pediu ajuda financeira, incluindo a compra de um celular. Kirsty enviou dinheiro, comprou um telefone e, ao longo de dois meses, transferiu cerca de 80 mil euros, além de pegar 50 mil emprestados à família. O telefone acabou indo parar em Lagos, na Nigéria, e as transferências envolveram pessoas com nomes na Nigéria, Romênia e outros países.
O homem, na verdade, não era britânico, e sim nigeriano, utilizando distorção de voz para enganar a vítima. A página bancária apresentada por ele revelou ser uma falsificação sofisticada, registrada nos EUA. A história de Kirsty ilustra a rede internacional de golpes que se tornou mais comum após a pandemia.
Panorama do golpe e números
Especialistas apontam aumento de fraudes desde os lockdowns. Perdas globais com fraudes ultrapassam meio trilhão de dólares por ano, segundo a Global Anti-Scam Alliance. Relatórios de golpes românticos cresceram 20% no 1º trimestre de 2024 para 2025, conforme Barclays.
Na Inglaterra, a polícia de City de Londres informou que, em 2024, o país perdeu cerca de 106 milhões de libras com golpes semelhantes ao de Kirsty. A entrevista ressalta a natureza cada vez mais internacional dos golpes e a necessidade de cooperação entre governos e empresas.
Cooperação internacional e ações
Pela primeira vez, várias nações assinaram um acordo conjunto para enfrentar golpes. A conferência Global Fraud Summit, em Viena, reuniu 1.400 participantes, incluindo governos, gigantes da tecnologia e autoridades de segurança. Quarenta e quatro países assinaram um compromisso de ampliar a cooperação.
Ainda assim, muitos países em desenvolvimento abrem mão de recursos para fortalecer investigações, o que complica o combate aos golpes. Peritos destacam a necessidade de compartilhar expertise técnica e recursos entre nações mais e menos favorecidas.
Desafios e caminhos
Especialistas destacam que criminalidade organizada atua em áreas quase sem lei, com tribunais limitados e operações que migraram para centros de golpe na Ásia, África e Oriente Médio. O papel de grandes plataformas digitais foi enfatizado como essencial para reduzir golpes e contas falsas.
Observa-se também que a mão de obra recrutada por redes criminosas pode vir de mercados com altos índices de desemprego, tornando o problema ainda mais complexo. Profissionais de segurança apontam a importância de investigações forenses, criptografia e investigações em código aberto.
Futuro da cooperação
Autoridades ressaltam que a cooperação entre governos, tecnologia e setores privados é crucial para frear golpes desde a origem. Estruturas de combate devem incluir fiscalização mais eficiente, bloqueio de ativos e suporte a vítimas, com ações coordenadas entre países.
Entre na conversa da comunidade