- Mais de 2 mil voos programados para maio foram suspensos pelas companhias aéreas brasileiras, segundo dados da Anac.
- Destinos mais impactados: Amazonas (-17,5%), Pernambuco (-10,5%), Goiás (-9,3%), Pará (-9,0%) e Paraíba (-8,9%).
- Cancelamentos concentram-se em ligações menos rentáveis; voos entre estados mais procurados, como São Paulo–Rio de Janeiro, não sofrem impacto significativo ainda.
- Levantamento aponta queda de 2.9% no fluxo de viagens, com 2.193 voos/dia previstos originalmente para maio, passando a 2.128 em 17 de abril.
- Impacto traduz-se em cerca de 10 mil assentos diários a menos e 12 aeronaves de médio porte retiradas de circulação.
Diante da alta do petróleo no mercado internacional e dos reajustes aplicados pela Petrobras no querosene de aviação, as companhias aéreas brasileiras suspenderam mais de 2 mil voos programados para maio, segundo dados da Anac.
O levantamento, feito com base no Siros, aponta que 2.193 voos estavam previstos para maio em 2 de abril. Em 17 de abril, esse total caiu para 2.128, uma redução de 2,9%. O recuo corresponde a cerca de 10 mil assentos diários a menos na malha doméstica.
Entre os estados, Amazonas lidera as interrupções, com queda de 17,5% nos voos; seguido por Pernambuco (-10,5%), Goiás (-9,3%), Pará (-9,0%) e Paraíba (-8,9%). Ainda não houve impacto significativo nas rotas mais conectadas.
Impacto por rota e custo
Executivos do setor contaram à CNN que o cancelamento concentra-se em ligações de menor rentabilidade e não atinge rotas cobiçadas, como São Paulo-Rio de Janeiro ou São Paulo-Brasília. A tendência pode se espalhar conforme o prejuízo com o combustível aumentar.
O efeito direto é o aumento de custos após o reajuste de 54% do querosene de aviação em 1º de abril. A Petrobras reajusta mensalmente o preço, no primeiro dia útil de cada mês, com variações para cima ou para baixo.
Medidas públicas e respostas do setor
A CNN apurou que distribuidoras de combustível devem registrar novo aumento em 1º de maio, estimado em cerca de 20%, conforme variações dos últimos dez dias de abril. A cobrança de PIS/Cofins foi zerada, e o governo adiou o pagamento de tarifas de navegação aérea.
Procurada, a Abear afirmou que os impactos do aumento do querosene são gravíssimos e que o setor negocia soluções com o governo para minimizar efeitos aos passageiros. A entidade cita as medidas anunciadas no início de abril e o apoio do FNAC para financiamento do combustível.
Segundo as companhias, as medidas governamentais são bem-vindas, mas consideradas insuficientes para conter a alta de custos. Entre as medidas propostas estão a retomada da isenção do IR sobre leasing de aeronaves e a reversão do aumento do IOF aplicado no ano anterior.
A Petrobras não respondeu até o fechamento desta edição.
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