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Camping em cafés: a disputa entre nômades digitais e pequenos negócios

Nômades digitais ocupam mesas por horas, pressionando a viabilidade de cafés; surgem regras não escritas e modelos híbridos para equilibrar consumo e espaço

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  • Cafés passaram a receber nômades digitais que trabalham horas com laptops, o que aumenta o custo de operação e pode reduzir a viabilidade financeira de pequenos estabelecimentos.
  • O conceito de “Terceiro Lugar” de Ray Oldenburg se transforma em escritório informal nas cafeterias, alterando a rotatividade de mesas e o fluxo de clientes.
  • Surgem regras não escritas, como taxa de consumo por hora, uso de fones de ouvido, limites de tomadas e rotatividade de assentos para evitar ocupação excessiva.
  • Estratégias adotadas incluem modelos coffee-office, Wi-Fi com tempo limitado, mesas exclusivas para laptops e consumo mínimo, com algumas casas reservando áreas específicas.
  • Buscar soluções urbanas alternativas, como bibliotecas, praças cobertas e estações, para atuar como novos Terceiros Lugares e reduzir a pressão sobre os cafés.

Nos últimos anos, cafeterias passaram a ser espaços de trabalho para nômades digitais, que chegam com notebooks e mantêm-se por horas. O comportamento, conhecido como camping, provoca debates sobre etiqueta, limites e sustentabilidade para pequenos negócios.

A expansão do trabalho remoto, acelerada após 2020, registra uso crescente de cafés como escritório. Criam-se tensões: o tráfego de clientes é menor, mas o custo com cadeiras, energia, Wi-Fi e estrutura se mantém. Isso desafia a viabilidade financeira de estabelecimentos.

A ideia de um Terceiro Lugar, descrita por Ray Oldenburg, ganha novas funções com a internet e laptops. Cafés, antes de locais de sociabilidade, passam a abrigar produção, o que reduz a rotatividade de mesas e aumenta o tempo de permanência.

Essa mudança altera o espírito do Terceiro Lugar. Mesas cheias de cabos e reuniões em videochamada ocupam espaços antes de fluxo rápido. Em alguns horários, atende-se menos gente, com impacto direto na renda dos pequenos negócios e no desgaste de funcionários, como baristas.

Nova etiqueta dos nômades

Uma conduta informal surge entre trabalhadores remotos. Alguns defendem uma “taxa de consumo por hora” motivada pela necessidade de consumir algo a cada período. Embora não haja regra fixa, clientes habituais já costumam seguir esse rito.

Regras não escritas incluem o uso de fones de ouvido, evitar chamadas em viva-voz e preferir mesas menores nos horários de pico. Grupos podem combinar a rotatividade de mesas para liberar espaço, mantendo convivência com a clientela tradicional.

Antes de agir, empresários relatam três pontos sensíveis: tempo excessivo em grandes mesas, uso de tomadas de forma insegura e consumo mínimo baixo. Muitas cafeterias recorrem a sinalizações discretas, cardápios com consumo sugerido ou conversas amigáveis para explicar políticas.

Estratégias para equilibrar clientes

Modelos híbridos chamados coffice aparecem em grandes centros, com pagamento por hora e direito a Wi-Fi estável, tomadas e água. Algumas casas restringem o uso do Wi-Fi por tempo, exigindo renovação mediante novo consumo, em cidades como Nova York e Londres.

Existem também estabelecimentos que reservam áreas para laptops ou indicam tempo médio por pedido. Em mercados europeus, parte do espaço é destinada a usuários de laptops, mantendo outras mesas para quem busca pausa rápida.

Entre as práticas comuns estão Wi-Fi com tempo limitado, mesas exclusivas para laptops, cobrança por faixa de tempo e consumo mínimo por pessoa. A rearrumação de salas favorece áreas de uso prolongado sem inviabilizar o atendimento rápido.

Desenho urbano e futuro dos Terceiros Lugares

A discussão ultrapassa o cliente e alcança o desenho das cidades. Faltam locais públicos com internet estável para quem precisa trabalhar fora de casa. Bibliotecas, centros culturais e praças cobertas ganham função de Terceiro Lugar, reduzindo pressão sobre cafés.

Arquitetos já projetam espaços que separam áreas de uso rápido de espaços estáveis para trabalho. O objetivo é manter o caráter de café de bairro e, ao mesmo tempo, oferecer infraestrutura para quem trabalha por longos períodos.

O caminho para o equilíbrio entre permanência e viabilidade dos pequenos negócios depende de políticas públicas, inovação no design de espaços e boa convivência entre diferentes públicos. O debate atual molda o futuro do convívio urbano e do espaço de convivência na cidade.

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