- Kevin Warsh negou ser “fantoche” de Donald Trump e afirmou que a independência do Federal Reserve é essencial.
- Senadora Elizabeth Warren questionou ligações dele com Jeffrey Epstein e citou informações de fundos que Warsh possui; Warsh disse que pretende recompor—as informações ao ser confirmado.
- Warsh negou ter feito acordo com o presidente para reduzir taxas de juros em troca do cargo.
- O senador Thom Tillis foi o único republicano a não apoiar a nomeação, pedindo uma apuração sobre reformas do Fed antes de votar.
- Warsh defendeu mudanças no regime do Fed, incluindo nova estrutura de inflação e mudanças na comunicação de políticas, sinalizando rejeição ao atual uso da métrica de inflação (PCE).
Kevin Warsh enfrentou senadores democratas em audiência de confirmação para chefiar o Federal Reserve, na terça-feira, no Senado. O objetivo é decidir se ele ocupará o posto, diante de críticas sobre independência e ligações anteriores. O debate ocorreu em meio a pressões sobre a política de juros.
A presidente da comissão bancária, senadora Elizabeth Warren, questionou a possibilidade de Warsh atuar como instrumento da agenda de Trump, apontando o risco de enfraquecer a autonomia do Fed. Warsh negou veementemente e reiterou o compromisso com a independência da instituição.
Warren também indagou Warsh sobre potenciais vínculos com Jeffrey Epstein. O ex-governador do Fed listou centenas de milhões em ativos, incluindo um fundo com pelo menos 100 milhões de dólares, sem detalhar os componentes. Ela pediu esclarecimentos sobre investimentos ligados a Epstein e outras entidades.
Warsh afirmou que pretende desfazer participações financeiras relevantes caso obtenha a confirmação. Em relação à menção do nome dele nos arquivos de Epstein, o fato não implica, segundo o indicado, qualquer ilícito, mas exige transparência.
O debate também tratou de um possível acordo com Trump para reduzir juros em troca da nomeação. Warsh afirmou que não houve pedido de comprometimento com decisões específicas de juros e que não aceitaria tal acordo.
Controvérsia política e apoio no Senado
Entre os senadores, o apoio ao indicado dividiu-se majoritariamente ao longo de fronteiras partidárias. O senador Thom Tillis registrou posição de abertura, elogiando as credenciais de Warsh, mas condicionou o voto à conclusão de apuração sobre gastos no prédio do Fed durante a gestão anterior.
Tillis apontou que a investigação sobre custos de renovação da sede é antiga, mas considera os fatos como relevantes para a aprovação. Caso a apuração permaneça em aberto, Tillis não apoiará a confirmação do substituto de Powell.
Powell insiste em permanecer no cargo além do término do mandato, caso Warsh não seja confirmado. A situação abre a possibilidade de continuidade temporária da liderança atual.
Proposta de mudança de estratégia monetária
Warsh sinalizou defender mudanças no regime do Fed, incluindo novos parâmetros para medir a inflação e a forma de comunicar decisões de política monetária. Em discurso de abertura, criticou a orientação futura das taxas, afirmando que esse método é prejudicial.
A proposta inclui uma reforma do método de avaliação da inflação, sugerindo afastar-se de uma única métrica para combinar diferentes indicadores. Ainda não está claro como as mudanças seriam implementadas na prática.
O indicado também defendeu reuniões de política econômica menos padronizadas, com menos roteiro fixo, para tornar as decisões mais transparentes aos mercados. A ideia é tornar o processo mais flexível, segundo ele.
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