- O presidente da CNMV, Carlos San Basilio, afirmou que há mais exclusões de empresas da bolsa do que estreias e pediu medidas concretas.
- Na conferência anual em Madri, ele destacou a necessidade de melhorar o acesso ao mercado para fundos de pensões e investidores pessoas físicas.
- Em relação ao mercado espanhol, houve apenas dois estreios recentes (HBX e Cirsa) e várias empresas têm deixado de cotar na bolsa.
- San Basilio mencionou queda de liquidez e fragmentação do mercado como problemas, além de defender simplificação tributária e uma conta única de poupança/investimentos.
- A visão europeia envolve uma União de Ahorros e Inversiones com maior integração, uso de regulamentação uniforme e maior papel da ESMA na supervisão para reduzir divergências nacionais.
A CNMV aponta que há mais empresas que deixam de abrir o capital do que estreias no mercado. O presidente do regulador espanhol, Carlos San Basilio, afirmou nesta quarta-feira que o fenômeno preocupa e exige medidas concretas, em meio a uma queda de liquidez e menor participação de pequenos investidores.
Durante a conferência anual do Mercado de Capitais da AFME, em Madrid, San Basilio disse que o mercado español tem perdido peso na economia e pediu apoio ao Tesouro para ampliar o acesso ao mercado de particulares e de fundos de pensões. A apresentação também destacou a necessidade de simplificar a tributação de ganhos patrimoniais.
A Bolsa espanhola registrou, no último ano, uma valorização expressiva, próxima de 50%. No entanto, apenas duas companhias ingressaram em bolsa: HBX e Cirsa. Outras empresas — como Occident, OPDE, Applus+, Solarpack, Parques Reunidos, Telepizza, Euskaltel e Hispania — deixaram de cotar, conforme dados do setor.
San Basilio enfatizou que o problema não se resume à falta de estreias. A liquidez também recai, com maior fragmentação de ações por mudanças regulatórias e aumento da competição. Empresas de média e pequena capitalização são as mais afetadas pela menor liquidez.
O supervisor destacou que os mercados de ações fornecem bens públicos essenciais, como transparência e boas práticas. O chefe da CNMV mencionou a dependência de setores como capital de risco e gestão de ativos do acesso público à renda variável, especialmente para o investidor pessoa física.
Sobre iniciativas externas, a CNMV acompanhou um relatório da OCDE de 2024, que resultou em um grupo de trabalho dedicado. A instituição traçou uma rota com medidas de curto prazo e outras de longo prazo para o mercado espanhol, incluindo uma reavaliação da tributação de ganhos e simplificação de regras.
Propostas e rumo europeu
A CNMV trabalha com o Ministério da Economia para aprimorar a regulação e incentivar a participação de investidores menores. Em nível da União Europeia, o objetivo central é a União de Ahorros e Inversiones, com foco em maior integração de mercados e simplificação normativa.
San Basilio defendeu que harmonização requererá regras idênticas em toda a UE, com menor uso de diretivas, favorecendo regulamentos para reduzir a discrecionalidade nacional. Ele afirmou que ESMA deve ampliar sua atuação para promover convergência, especialmente para grandes provedores de serviços criptoactivos.
Quanto à supervisão, o presidente disse que não há intenção de entregar toda a supervisão europeia a ESMA, mas apoia a centralização em áreas-chave para evitar arbitragem regulatória. A simplificação normativa, segundo ele, deve ocorrer onde os riscos realmente existem, sem criar barreiras à participação.
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