- Itaú Optimus, da Itaú Asset Management, apostou na queda de juros no Brasil e na desvalorização do dólar ante o real, em meio à guerra no Irã.
- A gestora montou, no último mês, posição que se beneficia com a queda dos juros, mantendo exposição atual em cerca de 50% do risco limite.
- Salgado disse que as curvas de juros já estavam descontando o movimento, e que entraram um pouco cedo, após a reprecificação forte das curvas.
- O portfólio também mantém posições em mercados como Canadá, Reino Unido e Europa, buscando oportunidades em cenários considerados subavaliados.
- Em câmbio, a estratégia passou a ser venda de dólar, com expectativa de enfraquecimento do dólar frente ao real, que pode permanecer como moeda de carry (high carry) frente a pares emergentes.
A Itaú Optimus, unidade de gestão da Itaú Asset Management, aposta na queda de juros no Brasil e na desvalorização do dólar frente ao real, mesmo com a guerra no Irã aumentando incertezas. A visão foi apresentada em entrevista à Bloomberg News, em São Paulo.
Segundo Pablo Salgado, gestor da família de fundos Optimus, as posições foram montadas no último mês quando a curva de juros já refletia riscos. A exposição atual fica em torno de 50% do limite de risco dos fundos, com entrada considerada precoce pelo analista.
Antes do conflito no Oriente Médio, parte dos recursos já operava na mesma direção, beneficiando quem aposta em cortes adicionais do Banco Central. A escalada do petróleo elevou a volatilidade, levando alguns gestores a reduzirem posições para limitar perdas.
Dólar enfraquecido
A gestão também ajustou o câmbio, passando a vender dólar de forma mais estruturada. A aposta é de que o real se fortaleça frente ao dólar, mantendo o Brasil como um receptor de fluxos em cenários de menor avanços dos EUA.
Salgado aponta que o real pode subir cerca de 10% no cenário ideal, mas avisa que esse é um best case e depende de fatores positivos correlatos. A estratégia considera o real como proteção para as posições em juros.
A equipe de investimentos avalia que, caso a atualização da política monetária brasileira seja mais contida do que o esperado, a atratividade do real tende a aumentar. O foco segue em oportunidades em mercados emergentes diante da conjuntura externa.
Os fundos Optimus são multimercados, com atuação em juros, moedas e ações, somando aproximadamente R$ 18 bilhões sob gestão. O cenário externo mais benigno, segundo Salgado, pode favorecer investidores em economias emergentes, desde que haja continuidade na desinflacionação local.
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