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Brasil pode perder R$ 47 bi ao priorizar petróleo na Foz do Amazonas

WWF-Brasil aponta que investir em petróleo na Foz do Amazonas pode resultar em perda de até R$ 47 bilhões, frente ganhos com renováveis e biocombustíveis

Reuteres/Sergio Moraes/Direitos reservados
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  • Estudo da WWF-Brasil aponta que explorar petróleo na Foz do Amazonas pode fazer o Brasil abrir mão de cerca de R$ 47 bilhões em receitas e benefícios em comparação com energetias renováveis e biocombustíveis.
  • As perdas somam R$ 22,2 bilhões pela fronteira na Margem Equatorial e R$ 24,8 bilhões pela ausência de investimentos na rede de eletrificação.
  • O cenário analisado considera 40 anos, com 900 milhões de barris estimados e capacidade de 120 mil barris por dia a partir de 20 poços; o retorno financeiro depende do preço de US$ 39 por barril, frente a cerca de US$ 100 hoje.
  • Emissões de gases de efeito estufa estimadas em 446 milhões de toneladas de CO₂ equivalente elevam o custo social, que ficaria entre R$ 21 bilhões e R$ 42 bilhões, impactando o saldo final.
  • Comparando com eletrificação e biocombustíveis, a rota de eletrificação traria retorno líquido próximo de R$ 25 bilhões; a opção por biocombustíveis também apresentaria menor prejuízo líquido por externalidades, em torno de R$ 29,3 bilhões, conforme o estudo.

Ao apresentar um estudo inédito, a WWF-Brasil aponta que a exploração de petróleo na Foz do Amazonas pode fazer o Brasil abrir mão de até R$ 47 bilhões em ganhos com energia renovável e biocombustíveis. O estudo compara cenários e busca medir impactos econômicos, sociais e ambientais ao longo de 40 anos.

O trabalho utiliza a Análise Socioeconômica de Custo-Benefício para avaliar ganhos e perdas previstos com a nova fronteira petrolífera. Segundo Daniel Thá, consultor da WWF-Brasil, o método é sistemático, baseado em evidências e voltado a resultados para sociedade como um todo.

Cenário financeiro e produção

A pesquisa parte de uma previsão de 900 milhões de barris na reserva e de 120 mil barris por dia, a partir de 20 poços, com início de exploração em uma década após o investimento inicial. Ao descontar custos, o estudo estima que o petróleo renderia lucro apenas se o preço de venda ficar acima de US$ 39 por barril, cenário descolado do preço atual, em torno de US$ 100.

Em termos de emissões, o estudo estima 446 milhões de toneladas de CO₂ equivalente ao longo do ciclo, com maior parte gerada no consumo dos combustíveis. O custo social do carbono varia entre R$ 21 bilhões e R$ 42 bilhões, elevando o impacto negativo para a população.

Impactos líquidos e comparação de opções

Ao combinar custos de exploração, produção e externalidades, o saldo líquido da fronteira na Foz do Amazonas é estimado em -R$ 22,2 bilhões ao longo de 40 anos, ou seja, perdas para a sociedade.

O estudo compara também a rota do petróleo com eletrificação e com biocombustíveis, mantendo parâmetros de energia, investimento e risco. A eletrificação, com mistura de energia renovável, apresentaria retorno líquido positivo próximo de R$ 25 bilhões para a sociedade.

Evidências sobre cenários alternativos

No cenário de eletrificação, a matriz proposta equivale a 50% de eólica, 42% solar, 4% biomassa e 4% biogás, consolidando um serviço energético equivalente ao petróleo. Mesmo com custos, a soma de benefícios supera os impactos, segundo os autores.

Para o caminho dos biocombustíveis, houve menor prejuízo de externalidades, resultando em custo líquido até 29,3 bilhões menor do que o cenário fósseis, segundo a avaliação do estudo.

Contexto institucional e notas técnicas

A Margem Equatorial, e especialmente a bacia da Foz do Amazonas, é destacada como potencial fronteira de petróleo e gás, com estimativa de 30 bilhões de barris. A região é sensível ambientalmente, próxima de rios e da floresta, e é apresentada como estratégica para reduzir a dependência de importações a longo prazo.

A Petrobras aponta a produção na Margem Equatorial como decisão estratégica para reduzir a necessidade de importação de petróleo em até uma década, enquanto o governo ressalta que os recursos fósseis podem financiar a transição energética do país.

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