- Estudo do Ipea aponta que profissionais com 44 horas semanais ganham, em média, 57,7% menos do que os que trabalham 40 horas.
- Salário médio para jornada de até 40 horas é de R$ 6.211; para 44 horas fica em R$ 2.626,05; remuneração por hora chega a R$ 2.391,24.
- A diferença é explicada pela escolaridade: mais de 83% dos vínculos com 44 horas têm ensino médio completo, contra 53% entre quem tem ensino superior.
- Jornadas mais longas predominam em ocupações com menor escolarização; cargos técnicos e profissionais de nível superior tendem a jornadas menores.
- Dados da Rais 2023 mostram 31,8 milhões com 44 horas semanais, ou 74% dos trabalhadores informados; 87,7% nas empresas com até quatro funcionários e 88,6% naquelas com cinco a nove empregados.
O estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) aponta que trabalhadores com jornada de 44 horas semanais, típica da escala 6×1, recebem em média 57,7% menos do que quem trabalha 40 horas. O salário médio de quem tem até 40 horas semanais fica em R$ 6.211, conforme a pesquisa.
Quem trabalha 44 horas semanais tem remuneração média de R$ 2.626,05. Já a remuneração por hora fica em torno de R$ 2.391,24, representando 38,5% do salário mensal de referência. O estudo leva em conta vínculos formais da Rais 2023.
Segundo o Ipea, a diferença salarial está associada à escolaridade. Em 44 horas, mais de 83% possuem ensino médio completo, contra 53% entre os que têm ensino superior. Ocupações com menos escolaridade predominam em indústria, agropecuária e comércio.
A pesquisa utiliza dados de 44 milhões de trabalhadores com vínculos pela CLT, 31,8 milhões com jornada de 44 horas semanais, equivalentes a 74% dos casos informados. Em empresas com até quatro empregados, a parcela chega a 87,7%.
A série aponta que 3,39 milhões de trabalhadores em pequenas empresas e 6,64 milhões em companhias com até nove empregados possuem jornadas de 44 horas. Em 31 dos 87 setores analisados, mais de 90% têm jornadas acima de 40 horas.
Cenário e mudanças propostas
O tema está no centro do debate sobre o fim da escala 6×1, em tramitação no Congresso, com duas PECs aprovadas pela CCJ e um projeto de lei em análise pelo governo. O impacto econômico ainda é tema de discussão entre especialistas.
O Ipea ressalta que, diferente de outras variáveis, a incidência de jornadas extensas está fortemente ligada ao nível de escolaridade. Setores com menor qualificação tendem a adotar jornadas maiores, enquanto cargos técnicos e superiores concentram-se em jornadas menores.
Para o instituto, reduzir a jornada máxima poderia diminuir desigualdades no mercado formal, sobretudo pela redução de jornadas estendidas associadas a menor remuneração. O efeito sobre o PIB depende de compensações com qualidade de vida e saúde pública.
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