- Brasil ficou em quinto lugar no ranking global de varejo de criptomoedas no 1º tri de 2026, movimentando US$ 40,4 bilhões, atrás de Estados Unidos, Coreia do Sul, Rússia e Índia.
- O total global de varejo cripto no período foi de US$ 979 bilhões, queda de 11% frente ao mesmo trimestre de 2025; o Brasil teve recuo de 12% em relação ao 1º tri de 2025.
- O texto destaca a relevância das stablecoins, com o Brasil mantendo participação entre os maiores mercados globais, e a presença de USDT em operações locais.
- Houve ganho de peso das stablecoins denominadas em euro, com volume mensal aumentando de US$ 69 milhões em janeiro de 2025 para US$ 777 milhões em março de 2026.
- A TRM aponta que, em mercados emergentes, cripto segue como solução de reserva de valor, pagamentos e acesso a dólares digitais, mesmo em meio à retração global.
O Brasil ficou em 5º lugar no ranking global de varejo de criptomoedas no primeiro trimestre de 2026, segundo a TRM Labs. O país movimentou US$ 40,4 bilhões, ficando atrás apenas de Estados Unidos, Coreia do Sul, Rússia e Índia. O desempenho manteve o Brasil entre os maiores mercados, mesmo com retração do setor no trimestre.
Apesar da queda global na adoção de ativos digitais, o Brasil registrou recuo de 12% em comparação com o 1º tri de 2025, quando o volume foi de US$ 45,7 bilhões. A lista dos dez maiores mercados contou ainda com Turquia, Reino Unido, Vietnã, Ucrânia e Alemanha.
O levantamento aponta que a adoção global ficou mais regionalizada, com economias emergentes exibindo maior resiliência. O estudo destaca o papel das stablecoins, especialmente em contextos de instabilidade econômica, para uso como reserva de valor e pagamento.
Stablecoins ganham peso em mercados emergentes
Em países com controles cambiais ou instabilidade monetária, as stablecoins aparecem entre os principais veículos de adoção. A Venezuela ficou em 17º no ranking, com cerca de US$ 17,9 bilhões em volume de varejo no 1º tri.
Segundo a TRM, 90,2% das ofertas ativas em pares em bolívar venezuelano na Binance estavam denominadas em USDT. Desvalorizações locais, restrições financeiras e acesso limitado ao sistema bancário explicam o papel cada vez mais presente dessas moedas estáveis.
Paralelamente, houve explosão do uso de stablecoins emitidas em euro. O volume mensal subiu de US$ 69 milhões em jan/2025 para US$ 777 milhões em mar/2026, alta de 12 vezes em 15 meses. Ainda assim, esses ativos representam menos de 0,3% do volume total.
Irã e uso de criptomoedas
O relatório destaca o Irã como exemplo de sanções e conflitos geopolíticos moldando o uso de cripto. Em jan/2026, o Tesouro dos EUA sancionou duas exchanges por suposta facilitação de transações ligadas ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica.
Fluxos para exchanges iranianas caíram de US$ 2,1 bilhões no 4º trimestre de 2024 para US$ 510 milhões no 1º tri de 2026. Mesmo com a queda, o varejo persiste, com destaque para stablecoins em dólar e transações geralmente abaixo de US$ 1.000.
No mês de mar/2026, a Guarda Revolucionária teria começado a cobrar operadores de navios para passagem pelo Estreito de Hormuz, sinalizando uso de cripto em atividades estatais em países sob restrições de financiamento.
No conjunto, o estudo aponta que o Brasil e outras economias emergentes mantêm relevância no cenário cripto global, com a demanda local indo além da especulação e incluindo poupança, liquidez, pagamentos e acesso a moedas fortes.
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