- Em março, a carne bovina subiu 6,9%, acima da inflação de 3,4% e maior índice nos últimos doze meses.
- Na Patagônia, Trelew deu início a um projeto piloto de carne de burro chamado “Burros Patagônicos”, com açougue e restaurante locais.
- No Trelew, o quilo da carne de burro custa cerca de 7.500 pesos, enquanto a bovina fica entre 18 mil e 19 mil pesos.
- A demanda por carne de burro é vista como opção mais barata e pontual, sem impacto relevante ainda na produção local.
- O Senasa informou que não há registro de exportação de carne de burro e que o consumo não é habitual, mas também não é proibido.
A alta dos preços da carne bovina continua a impactar o consumo na Argentina. Em março, o preço da carne bovina subiu 6,9%, frente a uma inflação mensal de 3,4%, segundo dados oficiais. A notícia ganha contornos nacionais com o surgimento de uma alternativa pouco tradicional no mercado argentino.
Em Trelew, na Patagônia, nasceu o projeto piloto Burros Patagônicos, idealizado pelo produtor rural Julio Cittadini. A iniciativa ganhou espaço após aprovação sanitária local e nacional e envolve açougue e restaurante da cidade. A proposta já atraiu público que experimentou pratos com carne de burro.
Carla Gutiérrez, proprietária do restaurante Don Pedro, relata que o cardápio incluiu empanadas, churrasco e linguiça com carne de burro, que agradaram aos clientes. O veículo de venda no açougue mostra que a carne se esgota rapidamente, com o quilo custando cerca de 7.500 pesos, versus 18 mil a 19 mil pesos da carne bovina.
O que está acontecendo no mercado e como reagiu o público
Especialista em carnes ressalta que o consumo de burro ainda é pontual e não representa mudança significativa no mercado local. A repercussão, no entanto, aponta para uma busca por opções mais baratas diante da perda de poder de compra.
A diferença de preço é um fator relevante: a carne de burro aparece como alternativa mais econômica, com o preço por quilo aproximadamente um terço do valor da bovina. Em Trelew, a iniciativa é acompanhada pela recessão econômica regional, com reflexos na gastronomia local.
Segundo dados oficiais, a inflação acumulada no ano chega a 9,4%. O INDEC aponta que carnes e derivados lideraram as altas entre os alimentos, contribuindo para a pressão sobre o orçamento familiar. A queda de consumo de carne bovina também é observada.
A tineira de referência na área, o Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar Senasa, informou que não há registro de exportação de carne de burro e que o consumo não é comum, mas não é proibido. O projeto, portanto, permanece limitado ao mercado local.
Panorama econômico e hábitos alimentares
Dados recentes indicam queda de aproximadamente 10% no consumo de carne bovina no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior. O consumo total de carnes na Argentina fica em torno de 115 a 116 kg por pessoa por ano, com predomínio de frango, seguido de carne bovina e suína.
A situação econômica do país é apontada por especialistas como uma mudança estrutural, com aumento de divisas advindas de energia, mineração e agro, mas retração da indústria, construção e comércio. A inflação elevada compõe o cenário desafiador.
Entre na conversa da comunidade