- Celsa encerrou a etapa de transformação iniciada em 2023, com dívida líquida de 1.145 milhões de euros ao fim de 2025, 70% menos que antes da mudança de propriedade.
- Em 2025, a companhia teve prejuízo líquido de 143 milhões de euros, metade do ano anterior; EBITDA subiu 44% e chegou a 396 milhões de euros; o resultado de exploração foi de 156 milhões de euros, +142%, e o patrimônio líquido líquido atingiu 322 milhões, +83%.
- No primeiro trimestre de 2026, a empresa voltou a registrar lucro, de 18 milhões de euros, sinalizando recuperação financeira.
- Refinanciamento concluído em dezembro de 2025; a alavancagem caiu de 8,4 para 2,4 vezes o EBITDA, com redução de cerca de 80 milhões de euros nos custos financeiros anuais; investimento de 183 milhões em 2025.
- Plano de eficiência manteve 110 funcionários dedicados, com investimento inicial de 109 milhões de euros; não há plano atual de buscar sócio industrial espanhol, conforme anunciado pela gestão.
A Celsa encerrou uma fase de transformação financeira iniciada há 28 meses e voltou a registrar lucro no primeiro trimestre de 2026. A empresa, que passou a ser controlada por credores em outubro de 2023, informou que a dívida líquida encerrou 2025 em 1,145 bilhão de euros, 70% menor que antes da mudança de propriedade. O resultado líquido de 2025 ainda foi negativo em 143 milhões de euros, mas houve melhoria em relação ao ano anterior.
A mudança de controle ocorreu após uma decisão judicial em Barcelona que autorizou a conversão de parte da dívida em ações, retirando a propriedade da família Rubiralta. Desde então, a Celsa tem trabalhado em eficiência operacional e reestruturação do passivo, com reduções significativas de endividamento e refinanciamento de dívidas.
A direção diz que a visão era transformar a empresa em uma operação estável. O presidente executivo, Rafael Vilaseca, utiliza a metáfora de um hospital para descrever a evolução: de UCI para fase normal, com dias bons e ruins, mas sem voltar ao estágio crítico.
Situação financeira e reestruturação
Antes da sentença de outubro de 2023, a dívida da Celsa somava 3,689 bilhões de euros. A capitalização de 1,418 bilhão de euros sinalizou o início de ajustes, com a venda de unidades no Reino Unido e nos países nórdicos ocorrendo em 2024. Em 2025, os acionistas protegeram 800 milhões de euros adicionais, via aporte de capital e empréstimos subordinados, e a empresa lançou uma emissão de bonds verdes de 1,2 bilhão de euros.
O refinanciamento conseguido em dezembro de 2025 consolidou esse cenário, reduzindo a alavancagem de 8,4 para 2,4 vezes o EBITDA. O custo financeiro anual caiu aproximadamente 80 milhões de euros, segundo Vilaseca, que afirmou que os números vêm se consolidando.
Eficiência operacional e investimentos
Para sustentar a melhoria, a Celsa criou um comitê de 110 pessoas e destinou 109 milhões de euros a um plano de eficiência. A meta é elevar o EBITDA, com resultados iniciais já acima do previsto. Em 2025, melhorias aplicadas atingiram 115 milhões de euros, 79% do objetivo inicial.
Em 2025, a empresa registrou faturamento de 3,347 bilhões de euros, estável ante 2024, mesmo com demanda europeia aquecida apenas parcialmente. O EBITDA cresceu 44%, para 396 milhões, e o lucro operacional aumentou 142%, para 156 milhões. O patrimônio líquido ficou 83% maior, em 322 milhões.
Perspectivas e continuidade de planos
Vilaseca destacou que a empresa entrou em uma “fase de excelência” e manterá investimentos, citando 183 milhões de euros aplicados em 2025, 60% acima de 2024. Embora o grupo conte com o apoio dos atuais acionistas, é provável que, com a consolidação de bons resultados, haja nova etapa de avaliação de saída para investidores.
Com relação a um possível sócio industrial espanhol, o executivo afirmou que esse tema ficou para trás e não está mais em pauta. A direção enfatiza que a transformação foi alcançada por meio de ajustes internos e não por acordo com novos parceiros estratégicos.
Atualidade e próximos passos
A indústria da Celsa continua com processos judiciais abertos contra a antiga propriedade, em andamento ou já com sentença, envolvendo remunerações excessivas e créditos considerados incobráveis. Vilaseca ressaltou que o objetivo é recuperar valores considerados devidos, mantendo o foco na gestão atual.
Para 2026, a empresa projeta manter a saudável geração de lucros, consolidando a fase de resultados positivos. Não houve anúncio de novas desinvenções ou mudanças de controle além das já concluídas.
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