- Petróleo dispara mais de sete por cento nesta quarta-feira, com Brent a US$ 119,15 por barril e WTI a US$ 106,55, os maiores patamares em quase quatro anos.
- O movimento ocorre em meio a tensões no Oriente Médio, risco de interrupção na oferta e preocupações com o Estreito de Ormuz.
- O Irã afirmou que só permitirá a passagem de navios comerciais após o encerramento da guerra, elevando o temor de desabastecimento.
- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã, ampliando a incerteza geopolítica e o apetite por proteção em ativos de risco.
- A saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep e da Opep+, a partir de 1º de maio, pressiona a liderança da organização e pode influenciar a oferta global.
- O Brent, referência para a Petrobras na política de preços, pode impactar gasolina, diesel e inflação no Brasil, além de elevar custos logísticos.
Os preços do petróleo registraram alta expressiva nesta quarta-feira (28), atingindo níveis não vistos há quase quatro anos. A escalada ocorre em meio a tensões no Oriente Médio, impasse entre EUA e Irã e a saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP e da Opep+. Dados da Bloomberg indicaram o Brent em US$ 119,15 por barril, subir 7,09% por volta das 13h10. O WTI avançou 6,62%, para US$ 106,55.
A alta reflete o aumento do temor de interrupção no fornecimento global, especialmente pela situação no Estreito de Ormuz, rota estratégica entre Irã e Omã. Cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo passam pela região, que permanece sob risco de ataques e restrições ligadas ao conflito envolvendo Irã, Israel e EUA. O Irã afirmou que só permitirá a passagem de navios após o fim definitivo da guerra e com protocolos de segurança.
Trump volta a endurecer o discurso contra o Irã, o que aumenta a incerteza sobre o preço do petróleo no curto prazo. O presidente norte-americano insinuou, em postagem nas redes, que o Irã não consegue fechar acordos estáveis e que o país deve adotar postura mais cautelosa, segundo cobertura da imprensa internacional. O tom elevou a percepção de risco geopolítico entre investidores.
A decisão dos Emirados Árabes Unidos de deixar a Opep e a Opep+, com vigência a partir de 1º de maio, também contribuiu para a instabilidade. O governo dos Emirados afirmou que a saída resulta de uma avaliação estratégica da política energética e negou coordenação prévia com a Arábia Saudita. A medida representa um golpe para a liderança do bloco diante de períodos de alta sensibilidade de oferta.
Especialistas destacam que a alta do petróleo pode influenciar os preços de combustíveis no Brasil, já que o Brent serve de referência para a política de preços da Petrobras. A possibilidade de novos impactos na inflação e nos custos logísticos também é mencionada, em um cenário de incerteza geopolítica.
Segundo a Bloomberg, o mercado acompanha de perto a evolução das disputas e a resposta de produtores. Com o conflito sem solução, a volatilidade permanece alta e o petróleo continua no centro das atenções das autoridades e dos investidores.
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