- O Comitê de Política Monetária cortou a Selic de 14,75% para 14,50% ao ano, a segunda redução consecutiva, mantendo o nível alto e influenciando empréstimos mais baratos e menor retorno da renda fixa.
- Com a nova Selic, a calculadora de renda fixa aponta ganhos diferentes para R$ 1 mil após um ano: Tesouro Selic, CDB a 100% do CDI e LCA/LCI em torno de R$ 1.121 a R$ 1.124, dependendo do ativo.
- Tesouro Prefixado renderia cerca de R$ 1.115 e Tesouro IPCA+ cerca de R$ 1.087 após um ano; a poupança ficaria em aproximadamente R$ 1.084.
- Em cinco anos, títulos atrelados ao CDI/Selic tendem a render mais que os prefixados e os atrelados à inflação, ainda que as taxas atuais permaneçam elevadas.
- Riscos permanecem: papéis de bancos (CDBs, LCIs, LCAs) dependem da saúde financeira do emissor; casos recentes de bancos levantam preocupação, com proteção do Fundo Garantidor de Créditos em até R$ 250 mil por instituição.
Nesta quarta-feira (28), o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,75% para 14,50% ao ano. É a segunda queda seguida, mantendo a taxa em nível próximo de 20 anos. A decisão tem efeito direto: financiamentos ficam mais baratos, mas o retorno da renda fixa cai.
O movimento ocorre em meio a o cenário internacional tenso. A guerra no Oriente Médio pressiona o preço do petróleo, que permanece acima de US$ 100 o barril, com interrupções no Estreito de Ormuz. Economistas citam impactos na inflação e nas projeções de juros para os próximos meses.
O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, elevou as expectativas de inflação para este ano, estimando IPCA em 4,86%, acima da meta de 4,5%. Ainda assim, a expectativa é de cortes graduais na Selic em 2026, mesmo diante de incertezas externas.
O que renderá com a Selic em 14,5%
Aplicar R$ 1 mil em Tesouro Selic, segundo cálculos de referência, pode render cerca de R$ 1.121 após um ano, já descontado o IR. Na prática, CDBs que acompanham o CDI ou fundos DI com taxa zero apresentam resultados semelhantes. LCAs e LCIs podem chegar a R$ 1.124, com isenção de IR.
Padrões de rendimento variam conforme o papel; Tesouro Prefixado fica em torno de R$ 1.115, já descontado IR, e o Tesouro IPCA+ próximo de R$ 1.087. A poupança fica em R$ 1.084, com vantagem menor frente aos demais.
No cenário atual, títulos atrelados à inflação e a Selic oferecem maior retorno a prazo de cinco anos do que opções prefixadas. Ainda assim, as remunerações de alguns papéis de renda fixa permanecem elevadas no curto prazo.
Risco e segurança dos emissores
Papéis de bancos, como CDBs, LCAs e LCIs, trazem risco ligado ao equilíbrio financeiro da instituição emissora. Em momentos de juros altos, esse risco tende a aumentar, justificando remuneração maior frente ao Tesouro Direto.
Casos recentes envolvendo bancos menores destacaram esse ponto: o Fundo Garantidor de Créditos cobre até R$ 250 mil por instituição, mas a liquidação pode atrasar o recebimento. CRIs, CRAs e debêntures emitidos por empresas não entram no escopo do FGC e apresentam maior risco.
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