- Os bancos europeus permanecem relativamente tranquilos diante da guerra na Iran, apoiados por lucros elevados e um colchão de rentabilidade, mesmo com provisões estáveis até o momento.
- Santander elevou provisões por insolvência em 5% no primeiro trimestre, para 3,2 bilhões de euros; Barclays não aumentou provisões; Deutsche Bank registrou 86 milhões de euros de dotação por incertezas econômicas causadas pelo conflito.
- As expectativas apontam que o retorno sobre o capital empregado (ROTE) deve subir para cerca de 14% neste ano, o que fortalece a capacidade de absorção de perdas, ainda que o cenário permaneça volátil.
- As ações dos maiores bancos europeus caíram em média cerca de 5% desde 27 de fevereiro, em resposta aos riscos, incluindo possível salto dos preços do petróleo e aperto de crédito.
- No Reino Unido, pode haver aumento de tributos bancários para ajudar as contas públicas; Reeves pode usar a arrecadação para subsídios energéticos, mitigando impactos sobre o setor financeiro.
O temor de uma crise financeira global não se confirmou até o momento, conforme a percepção dos principais bancos europeus. Mesmo diante da guerra na região, as provisões para insolvência não dispararam de forma generalizada e a rentabilidade tem contribuído para manter uma “folha de balanço” robusta. A leitura é de que o pessimista esperado ainda não se materializou.
Barclays, Santander e Deutsche Bank mostraram resultados que indicam continuidade na gestão de risco, com aportes contidos para perdas futuras. Em termos de lucros, a melhora tem ajudado a sustentar o clima de tranquilidade entre as instituições, ainda que o cenário macroeconômico permaneça desafiador.
Consolidando o cenário, a recuperação da rentabilidade prevista para este ano aponta para margens mais amplas, alimentadas pela combinação de juros mais altos e atividade de crédito. Mesmo assim, especialistas destacam que o progresso pode retroceder se a demanda por crédito perder impulso e o petróleo pressionar custos.
Impacto financeiro no Reino Unido
No Reino Unido, o quadro regulatório pode mudar conforme o governo avalia novos componentes de tributação para bancos. A ministra da Economia pode considerar ajustes para reforçar as contas públicas diante do aperto fiscal, associando o risco político a cenários de arrecadação do setor.
Investidores monitoram os impactos de eventual elevação de tributos sobre bancos, com especial atenção aos mais lucrativos, cuja rentabilidade pode sustentar avaliações de mercado já elevadas. Analistas indicam que, mesmo com aumentos moderados, o efeito líquido sobre o lucro líquido do setor pode ficar abaixo de 5%.
Especialistas destacam que mudanças fiscais podem ser temporárias se houver medidas de apoio a setores vulneráveis durante crises. A decisão política, associada à evolução da situação internacional, tende a influenciar a percepção de risco e o custo de captação para as instituições.
Os relatos são de comentaristas de Reuters Breakingviews, com tradução publicada pelo portal espanhol. As análises ressaltam que o cenário pode evoluir conforme o conflito Iraniano se estenda e a inflação siga pressionando políticas monetárias no curto prazo.
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